por Milena Buarque Lopes Bandeira

Maior prêmio dedicado à arte digital, o Lumen Prize divulgou a primeira relação (a “lista longa”) de pré-selecionados deste ano. Indicada à categoria 3D/Prêmio Interativo, a obra Quantum, de autoria de Rejane Cantoni em parceria com o Itaú Cultural (IC), figura na listagem, uma das mais diversas, geograficamente, segundo a organização da premiação.

A pré-seleção, que pode ser conferida aqui, engloba cinco categorias e apresenta artistas de 25 países.

Quantum

Uma experiência em várias realidades alternativas. É assim que a obra é definida por Tuany Pinheiro, cientista de dados e analista de sistemas da área de Inovação do IC, núcleo que teve participação ativa na criação da obra com Rejane. “A apresentação dos conceitos e ideias, da definição do funcionamento e de como apresentar ao público essas questões da física quântica veio principalmente da artista e do Marcos Cuzziol [engenheiro mecânico e gerente do Observatório Itaú Cultural e de Inovação]. Nós, que somos da equipe técnica, tivemos a missão de compreender e transformar aquilo que era ideia em algo que fosse possível de ser feito com a tecnologia que nós temos”, explica Tuany, que atua nos projetos de tecnologia da organização.

Na mostra Consciência Cibernética [?] Horizonte Quântico (2019), onde a instalação foi exibida pela primeira vez, Quantum utilizou a arquitetura retangular do 2º subsolo do IC para causar nos visitantes a experiência de penetrar um universo fluido de múltiplos tempos e horizontes.

Segundo a cientista de dados, a equipe esteve envolvida no projeto durante seis meses, de setembro de 2018 a março do ano seguinte, quando a exposição foi aberta para o público.

(imagem: André Seiti)

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“Foram realizadas muitas experimentações com o código, porém não era só ele. Tínhamos de ter em mente que cada pessoa participava da obra e o elemento da interação era feito através da captura das silhuetas. Então fizemos testes com câmeras infravermelhas e projetores. Meus colegas da área foram imprescindíveis nessa fase de experimentos. Todos da equipe estiveram juntos participando dos testes, propondo soluções e buscando os equipamentos necessários. Sem eles o código que escrevi não teria sido o mesmo”, afirma Tuany, que é mestre em sistemas de informação pela Universidade de São Paulo (USP).

Como explica Rejane no descritivo da obra: “A presença dos visitantes provoca mudanças no estado do sistema, nas telas de projeção e na dimensão sonora. Quando você entra na instalação, o sistema desenha a sua sombra e esta, diferentemente da que você normalmente possui, se comporta de acordo com regras da mecânica quântica”. Em 2018, a artista foi convidada para integrar a equipe de pesquisa do IC para a exposição.

“Esse trabalho resultou em um novo convite: a tarefa foi construir uma espécie de simulador quântico, isto é, desenvolver um artefato capaz de causar nos visitantes a experiência de penetrar um universo subatômico”, diz Rejane.

As diversas experiências e os múltiplos experimentos tiraram a equipe da rotina e das demandas do dia a dia. Segundo Kenzo Okamura, engenheiro de software da área de Inovação do IC, apesar dos muitos testes e protótipos, apenas nas últimas semanas é que o núcleo teve a estrutura pronta para o ajuste final. “Sempre tem de ter emoção, não?”, brinca.

“Estar na lista do Lumen Prize é um incrível reconhecimento de um projeto que gostamos muito de fazer – trabalho este que nos tira momentaneamente do dia a dia de desenvolvimento de sistemas. Trabalhar com artes e artistas tem sido uma das experiências mais extraordinárias, inesperadas e gratificantes”, compartilha Kenzo.

A relação dos finalistas será divulgada em 9 de setembro e a dos vencedores no dia 22 de outubro de 2020.

(imagem: André Seiti)
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