A múltipla produção do poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e diplomata Vinicius de Moraes (1913-1980) se torna agora ainda mais extensa: no recém-lançado Acervo digital Vinicius de Moraes, o público pode acessar mais de 11 mil documentos digitalizados do arquivo pessoal do artista carioca – como manuscritos e datiloscritos de obras e correspondências trocadas com colegas das artes, amigos, parentes e políticos.

Esse conteúdo está guardado desde o final dos anos 1980 no Arquivo-Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, e foi disponibilizado para consulta presencial em 1992. Com o trabalho de digitalização, realizado com o apoio do Itaú, o acervo ganhou não só mais visibilidade, mas também perenidade. “Estamos preservando esse material de qualquer problema físico e dando acesso gratuito à informação”, diz Marcus Moraes, coordenador técnico e de design do projeto – idealizado e coordenado por Julia Moraes. Ambos são parentes de Vinicius: Julia é neta, Marcus é sobrinho-neto.

Vinicius na sede da Unesco, em Paris, em 1963 (imagem: Pedro de Moraes)

Escritos à mão ou à máquina, os versos do poeta e compositor – além de seus textos em prosa – podem ser lidos em diferentes versões, que evidenciam o processo de cada criação. Há, por exemplo, quatro versões da letra de “Canto de Ossanha”, e nove da de “Canção do amanhecer” (veja outros exemplos na galeria abaixo). “Do ponto de vista de quem quer entender os processos literário e criativo, o acervo é muito rico”, comenta Julia. “É um mapa da criação. Não são só acertos, ali estão os erros também.”

No campo das correspondências, o arquivo traz cartas, cartões e telegramas trocados com figuras de diferentes áreas: de parceiros musicais, como Baden Powell, Carlos Lyra e Tom Jobim, a poetas como Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, para quem Vinicius pediu leituras críticas de trabalhos seus.

Digitalização de acervos

Por meio do Itaú Cultural, o Itaú apoia ou promove uma série de projetos como o do Acervo digital Vinicius de Moraes, focados na salvaguarda do legado de personalidades fundamentais da arte e da cultura brasileiras.

Ao longo dos anos, a instituição já atuou na recuperação, na organização e na digitalização de acervos de nomes como os artistas visuais Iberê Camargo, Leonilson e Lygia Clark, o músico Jorge Mautner, o escritor Nelson Rodrigues e o arquiteto Oscar Niemeyer. Isso sem contar os mais de 50 criadores e grupos homenageados pelo programa Ocupação Itaú Cultural.

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