QUINTA 25 DE MAIO A DOMINGO 13 DE AGOSTO 2017

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INSTITUCIONAL

Quantos brasis cabem na Oca? O Itaú Cultural, que completa 30 anos de grandes feitos, preenche esse espaço com uma ex¬periência inspirada na sensibilidade e na criatividade brasileiras.

Com curadoria de Paulo Herkenhoff e cocuradoria de Thais Rivitti e Leno Veras – em parceria com as equipes do Itaú Cultural –, a exposição Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos é uma seleção do Acervo de Obras de Arte do Itaú Unibanco que revela nossa arte e nossa cultura e reflete sobre como, nestas três décadas, o instituto ajudou a escrever essa história.

Esta exposição acessa panoramas do acervo de maneira ampla e inédita. Não estão em foco apenas as linguagens artísticas, mas a história, a política, as identidades, a econo¬mia – de modo múltiplo, as diferentes for¬mas de ser da sociedade brasileira.

O acervo do Itaú Unibanco soma mais de 15 mil pinturas, gravuras, fotografias, esculturas e instalações, entre outros itens. Hoje a maior coleção de arte de uma companhia privada na América Latina, foi inaugurado em 1969, com a compra da pintura Povoado numa Planície Arborizada, do holandês Frans Post.

O responsável por essa iniciativa foi Olavo Setubal, que em 1987 viria a fundar o Itaú Cultural. Hoje o instituto garante o acesso ao acervo tanto por meio do Espaço Olavo Setubal – que, na nossa sede, conta as histórias do Brasil por meio da arte – quanto por uma série de mostras que levam a várias cidades do país e do exterior recortes do acervo em 190 exposições itinerantes, que alcançaram 1,7 milhão de visitantes.

Além disso, o Itaú Cultural está presente em todo o Brasil com programas importantes como o Rumos e a Ocupação, e ainda participa do mundo digital com a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras e outras frentes. É o legado que Olavo Setubal deixou e soubemos multiplicar.

Milú Villela
Presidente do Itaú Cultural

SOBRE A EXPOSIÇÃO
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FICHA TÉCNICA

  • MODOS DE VER O BRASIL

  • Concepção e RealizaçãoItaú Cultural
  • Curadoria Paulo Herkenhoff
  • Assistentes da curadoriaLeno Veras e Thais Rivitti
  • Projeto expográficoÁlvaro Razuk
  • Equipe: Claudia Afonso, Daniel Winnik, Juliana Prado Godoy e Victor Delaqua

  • ITAÚ CULTURAL

  • Presidente Milú Villela
  • Diretor-superintendente Eduardo Saron
  • Superintendente administrativo Sérgio M. Miyazaki

  • NÚCLEO DE ARTES VISUAIS

  • GerênciaSofia Fan
  • Coordenação Juliano Ferreira
  • Produção executivaNicole Plascak, Luciana Rocha e Alexandre Klemenc (terceirizado)

  • NÚCLEO DE AUDIOVISUAL E LITERATURA

  • GerênciaClaudiney Ferreira
  • Coordenação de conteúdo audiovisualKety Fernandes Nassar
  • ProduçãoPaula Bertola
  • EdiçãoRichner Alan

  • NÚCLEO DE PRODUÇÃO DE EVENTOS

  • Gerência Henrique Idoeta Soares
  • Coordenação Vinícius Ramos
  • ProduçãoCristiane Zago, Wanderley Bispo, Érica Pedrosa, Antônio Gama (terceirizado), Renan Ortega (estagiário), Jacson Trierveiler (terceirizado), Fabiano de Almeida Pereira (terceirizado) e Priscilla Mol (terceirizada)

  • NÚCLEO INOVAÇÃO/OBSERVATÓRIO 

  • GerênciaMarcos Cuzziol
  • CoordenaçãoLuciana Modé

  • NÚCLEO CENTRO DE MEMÓRIA, DOCUMENTAÇÃO E REFERÊNCIA

  • Gerência Fernando Araújo
  • Coordenação de conteúdo e pesquisaEneida Labaki
  • Produção e pesquisaRenata Silveira Dias, Talita Yokoyama e Jonathan de Brito Faria

  • NÚCLEO DE ARTES CÊNICAS

  • Gerência Galiana Brasil
  • Produtora Jaqueline Vasconcellos

  • NÚCLEO ENCICLOPÉDIA

  • Gerência Tânia Rodrigues
  • Coordenação Glaucy Tudda
  • Pesquisa e produção-executiva Bruna Ferreira e Icaro Mello

  • NÚCLEO DE EDUCAÇÃO E RELACIONAMENTO

  • Gerência Valéria Toloi
  • Coordenação de atendimento educativo Tatiana Prado
  • Equipe Amanda Freitas, Caroline Faro, Danilo Fox, Thays Heleno, Victor Soriano e Vinicius Magnun
  • Coordenação de programas de formação Samara Ferreira
  • Equipe Carla Léllis, Edinho Santos, Raphael Giannini e Thiago Borazanian
  • Encontro com Professores Claudia Malaco e Raphael Giannini

  • NÚCLEO DE ACERVO DE OBRAS DE ARTE

  • GerênciaFulvia Sannuto
  • CoordenaçãoEdson Martins da Cruz
  • EquipeAngélica Pompílio Oliveira, Bruno Francisco Struzani de Souza, Emmanuelly Regina Pereira de Jesus, Fernanda Rafaela Souza Dias Simony, Patrícia Nascimento Guilhoto e Vânia Mamede Cintra Shiroma

  • NÚCLEO DE MÚSICA

  • GerênciaEdson Natale
  • CoordenaçãoAndreia Schinasi
  • EquipeAlexandre Di Pietro e Maurício Moraes

  • NÚCLEO DE COMUNICAÇÃO E RELACIONAMENTO

  • GerênciaAna de Fátima Sousa
  • Coordenação de conteúdoCarlos Costa
  • Produção e edição de conteúdo Duanne Ribeiro e Thiago Rosenberg
  • Redes sociais Renato Corch
  • Supervisão de revisão Polyana Lima
  • Revisão de textoRachel Reis (terceirizada)
  • Tradução de textoIzabel Murat Burbridge, Marisa Shirasuna e Suzana Vidigal
  • Coordenação de designJader Rosa
  • Produção editorial Luciana Araripe
  • Comunicação visual Yoshiharu Arakaki (concepção), Estúdio Claraboia e Estúdio Lumine (produção, terceirizados)
  • Edição de fotografiaAndré Seiti
  • Coordenação de eventos e comunicação estratégicaMelissa Contessoto
  • Produção e relacionamentoSimoni Barbiellini, Vanessa Golau Olvera, Paulo Henrique Seung Chul Chun e Marina Rossana Ciancaglini
SOBRE A EXPOSIÇÃO
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CURATORIAL

Para celebrar os 30 anos do Itaú Cultural, apresentamos a complexidade dos programas e das iniciativas do instituto em centenas de obras do acervo Itaú Unibanco. Todos os setores do Itaú Cultural participaram desse desafio curatorial, elaborado com base na coleção de mais de 15 mil itens – reunidos ao longo de quatro décadas exclusivamente com recursos da empresa, sem aplicação de incentivos fiscais. A partir da seleção, o visitante pode observar como a história da arte do Brasil passa por essa coleção.

O Itaú Cultural configura-se como um museu: coleta, registra, preserva, estuda, expõe bens culturais, comunica e educa. Atinge múltiplas áreas da cultura e todo o território nacional, abordando a diversidade do Brasil. Trata-se de um projeto com abrangência de ação de Estado, de uma atividade de capitalismo avançado que associa a empresa à produção simbólica da sociedade em processo de conversão do capital financeiro em capital simbólico.

O título Modos de Ver o Brasil sugere leituras transversais, possíveis entre muitas, desse acervo. A mostra propõe sentidos múltiplos, convida o público a descobrir, busca surpreender a cada passo e enuncia a grandeza da cultura brasileira. No térreo, a arte expõe São Paulo; neste espaço, está também a biblioteca. O subsolo abre-se em projetos de linguagens tecnológicas, os ciclos econômicos de Portinari, laços de subjetividade e outros. Já o piso 1 traz a forma e a matéria do signo da arte. Por fim, o piso 2 concentra o período colonial, como o barroco e a escravidão e seu impacto sobre o contemporâneo. Cada modo de ver é uma organização de ideias.

Toda obra de arte é um significante à espera de significados projetados por aquele que com ela se depara. Essa relação é mais rica na medida em que cada um se coloca disponível para se relacionar com a obra, indagar o que ela lhe apresenta e retirar de si sua interpretação. A arte brasileira não tem um centro, mas muitas maneiras de se realizar segundo as peculiaridades de cada lugar. Cada artista é em si um núcleo de invenção.

A mostra não é linear, portanto. Cada visitante é convidado a organizar seu percurso como experiência de liberdade e capacidade de conhecimento. Modos de Ver dedica-se em especial ao público pouco familiarizado com a arte. Os textos nos andares têm o propósito apenas de sugerir caminhos de observação, indicar aspectos especiais ou possivelmente desconhecidos, levantar hipóteses e indagações. Toda vontade de conhecer a arte é relevante.

Paulo Herkenhoff
Thais Rivitti
Leno Veras

SOBRE A EXPOSIÇÃO
VOCÊ ESTÁ NO

O piso 2 se debruça sobre o período colonial e seu impacto na contemporaneidade, analisando criticamente a escravidão e o barroco como eixos estruturantes da sociedade e da cultura brasileiras.

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COMENTÁRIO DA CURADORIA

Uma invenção simbólica do Brasil: África e barroco

A formação social do Brasil colonial marcou-se por traumas e pela mestiçagem com a vinda de africanos escravizados e a conquista violenta da terra habitada pelas sociedades autóctones. São os extremos da violência brasileira vista como “história dos vencidos” (tese de Walter Benjamin). Entre 1701 e 1810, vieram 1.891.400 escravos para o Brasil (Schmidl) – mais que a população atual de Campinas (SP).

A escravidão arrancava as pessoas de sua sociedade para privá-las de sua liberdade e trazê-las ao Brasil socadas como mercadoria em navios. Na África, eram trocadas por produtos brasileiros como tabaco, farinha e cachaça. Aqui, o comércio de escravos se fazia por vendas diretas e leilões. Eram avaliados como os cavalos: olhavam-se os dentes, a saúde, a robustez, a disposição para o trabalho, a índole para a submissão.

A complementariedade econômica no Atlântico Sul era a cultura de açúcar no Brasil e o comércio de escravos em Angola. Os negros perdiam o nome, o grupo familiar, o direito a sua fé, a cultura na guerra simbólica – enfim, a dessocialização era necessária ao domínio sobre as pessoas. “A história do mercado brasileiro, amanhado pela pilhagem e pelo comércio, é longa, mas a história da nação brasileira, fundada na violência e no consentimento, é curta” (L. F. Alencastro).

As leis tratavam os escravos como res (“coisa” no direito romano), e seu trabalho não tinha remuneração; eram arrolados com outros bens de seus proprietários, como os animais, os engenhos e as terras. Houve quem duvidasse que os escravos africanos tivessem uma “alma boa” (Montesquieu). Para alguns filhos de escravos e libertos, a arte foi um processo de sublimação, integração na sociedade, compensação simbólica, negociação de sobrevivência, resistência e emancipação.

Paulo Herkenhoff

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O piso 1 a forma e a matéria do signo da arte, ao apresentar desdobramentos do pensamento construtivo no Brasil e ao reunir gerações do concretismo, bem como articular diálogos entre grupos, escolas e movimentos do país.

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COMENTÁRIO DA CURADORIA

Expressão e racionalidade

O início do percurso apresenta uma polaridade que alimentou a arte brasileira e a criação artística de todo o século XX, o binômio expressão e racionalidade. Maria Martins (1894-1973) integrou o círculo de artistas surrealistas que se refugiaram, durante a Segunda Guerra, em Nova York. Um dos conceitos importantes para esse grupo era o do inconsciente; e a psicanálise, um interesse comum a todos. O Impossível (1945) mostra duas figuras antropomórficas, masculino e feminino, frente a frente. Elas se atraem e se repelem, gerando uma tensão que não se resolve. A obra foi interpretada como um retrato da impossibilidade da relação amorosa plena.

Do outro lado estão obras das sucessivas gerações construtivas brasileiras. A arte concreta foi novidade no Brasil no início da década de 1950, acompanhada pela bossa nova, pela arquitetura moderna e pela 1a Bienal de São Paulo, em 1951. Para os artistas desse movimento, a arte deveria abandonar a representação – o figurativismo, o naturalismo – e voltar-se para elementos de sua própria linguagem. Na pintura, era fundamental deixar a ilusão da perspectiva e assumir a bidimensionalidade do plano. No horizonte utópico das propostas concretistas, à organização racional do quadro corresponderia uma sociedade mais moderna, mais funcional, mais transparente e igualitária.

As gerações posteriores, embora herdeiras desses embates, colocam outras questões no campo da estética. É possível encontrar em Leonilson (1957-1993) ecos da subjetividade de Maria Martins, e em Sergio Sister (1948-) uma pesquisa de cores e formas típicas dos concretos. Contudo, as obras de artistas que iniciaram sua produção a partir da década de 1980 mostram outras emergências da contemporaneidade: a emancipação do espectador, a introdução de materiais de várias procedências e a entrada da cultura pop ou popular em suas obras.

Thaís Rivitti

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No térreo, a arte expõe São Paulo. Sua arquitetura e urbanismo são revelados por meio de fotografias, pinturas, esculturas e diversas outras formas encontradas pelos habitantes da cidade para expressar seus modos de vivenciá-la.

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COMENTÁRIO DA CURADORIA

Da numismática à cibernética

Considerando origem e destino polaridades pertinentes aos seres e tomando suas criações como parte desse conjunto vivente, nós nos aproximamos da noção de arte como um regime ético de identificação das imagens, da relação entre maneiras de ser e modos de existir dos indivíduos e das coletividades que as produzem.

Levando em conta esse partido, é possível indagarmos: o que determina o caráter dessas produções – natureza, procedência, finalidade?

Nos termos de uma diferença entre o olho e o olhar, proposta pelo fenomenólogo Merleau-Ponty (1918-1961), da proposição de novas lógicas de observação emerge a capacidade de apreensões inovadoras do mundo.

Diante das possibilidades de articulação discursiva, o conceito de konstellation, engendrado pelo crítico Walter Benjamin (1892-1940), torna-se norteador para estabelecer uma mediação entre a obra e o fruidor, de modo que a constituição de “conjuntos significativos”, com o intuito de propor leituras heterodoxas para obras impregnadas de discursos historicizantes, torna possível, a um só tempo, buscar novos sentidos e enunciá-los.

Ao nos questionarmos sobre os diálogos que podem ser criados a partir de acervos e seus cânones, investigam-se as potências de uma coleção, as razões de sua constituição e os desdobramentos de sua continuidade, tendo em vista as particularidades de nosso tempo e espaço – o Brasil do começo do século XXI – e as mudanças pelas quais a contemporaneidade nos confronta a cada dia com a memória, processo em plena metamorfose, como eixo estruturante da cultura.

Leno Veras

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No -1, nós nos concentramos nas diversas linguagens do campo artístico e investigamos as distintas abordagens por meio das quais é possível engendrar inter-relações entre suas dimensões política, econômica e social.

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COMENTÁRIO DA CURADORIA

São Paulo

Propomos ao visitante um encontro com São Paulo: sua história, sua arquitetura, seus habitantes e os artistas que criam a partir desse lugar. São abordagens simultâneas que trazem a dimensão plural da cidade que não se deixa apreender.

No livro Tristes Trópicos, o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009) escreve: “Ao chegar em São Paulo em 1935 não foi o aspecto novo que de início me espantou, mas a precocidade dos estragos do tempo”. Para ele, “certas cidades da Europa adormecem suavemente na morte; as do Novo Mundo vivem febrilmente uma doença crônica; eternamente jovens, jamais serão saudáveis, porém”.

O conjunto de obras, sobretudo fotografias e pinturas, aponta essa temporalidade em colapso. Elas trazem lugares e cenas familiares, mas distantes da forma com que hoje as vemos. Mostram momentos, cada vez mais raros, de enamoramento pela cidade nos quais os conflitos cedem em favor de uma visão generosa e afetiva.

Assim, o trajeto pelo espaço relembra a força econômica do ciclo do café, o charme do Centro no início do século, a Semana de Arte Moderna de 1922, a descoberta da arte concreta e a pujança da arquitetura moderna. Nas obras mais contemporâneas, o cotidiano é marcado por diferenças econômicas gritantes e invisibilidade social. São as contradições de uma cidade que sempre mesclou vigor e destruição.

Thaís Rivitti

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Músicas que retomam e ampliam os temas da exposição e o trabalho de artistas que fazem parte da constelação de histórias do Itaú Cultural.

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