Por Cassiano Viana*

Alessandra Dutra (Rio Branco, Acre, 1997) conta que na fotografia gosta de cores, histórias, pessoas... De contar histórias pelo olhar das pessoas, passar a sensação do real, do cotidiano e do corriqueiro através das lentes. “Não sinto que comando a lente, a lente é que me comanda, que me toma, que me dá vida”, afirma.

O primeiro contato com a fotografia foi em casa, com uma câmera analógica e depois com uma powershot que era da sua irmã mais velha.

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“Nessa época, o pessoal mesmo de casa falava que eu tinha a ‘manha’. Eu já fazia os famosos books da gravidez da minha irmã, fotografava os meus sobrinhos e quando saímos levávamos sempre a câmera”, recorda. “Lembro de um dia que saímos todos para a Praça do Palácio, aqui em Rio Branco, e tiramos uma foto. Na hora do click, uma moça passou na frente da câmera e ríamos muito depois da foto revelada, era sempre uma sensação incrível fotografar e revelar a foto. Minha mãe conta que eu não podia ver uma equipe de reportagem, vivia atrás de fuçar e mexer”.

Para Alessandra, fotografia é, sobretudo, um ato de resistência. “É oxigênio. É poder beijar os olhos do outro com registros, e com toda a gestualidade que os movimentos da fotografia são capazes. O meu olhar é motivado por tudo que se movimenta. Agradeço aos movimentos que a vida dá. Documentar o que é passageiro para contar a narrativa daquela época, situação, é fazer história com a luz.”

Com a palavra, Alessandra Dutra:

(imagem: Alessanda Dutra)

Esse registro representa a força da mulher, sobretudo das mulheres feirantes. Foi feito na Pompeia, em Natal, Rio Grande do Norte. Ele faz parte de um projeto intitulado Depois da Ponte e narra a força do trabalho feito pelas mãos das mulheres, pelo punho e pela coragem. Ele resgata minha memória afetiva de quando minha mãe Maria Rita trabalhava na feira.

(imagem: Alessanda Dutra)

Essa fotografia faz parte de um ensaio intitulado EXUemti. Ela fala da possiblidade espiritual de estarmos conectados ao divino através da fotografia. Aconteceu no Seridó, em 2019, numa Gira de Exu. Esse registro passeia pelo sensitivo divino e humano. Ele retrata toda a narrativa, ou pelo menos alguma parte dela, de entender o que é Exu, e como ele nos atravessa. Acessar essa existência tece caminhos para entender que Exu não é demônio, e trazer isso através da fotografia é uma honra.

O Mar Nunca Vai Falhar (imagem: Alessanda Dutra)

Essa fotografia chama-se O Mar Nunca Vai Falhar e foi registrada em Natal, Rio Grande do Norte. Feita no dia 2 de fevereiro, ela é isso. Não consigo explicar em palavras. Ela é o oxigênio.

Cassiano Viana (@vianacassiano) é editor do site About Light.

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