Por Cassiano Viana

Laíza Ferreira (Ananindeua, Pará, 1989) vive e trabalha em Natal (RN). Ela conta que a fotografia analógica sempre esteve presente em sua vida, principalmente na infância, mas de uma forma diferente, sob a ótica de registro. “Comecei a fotografar depois que tive um contato maior com colagem, pois pude experimentar o campo da ressignificação e deslocamento de imagens”, explica. “Continuo nesse processo de reinvenção e pesquisa. Também gosto de pensar nos processos artesanais da fotografia e como eles dialogam com a colagem.” 

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(imagem: Laíza Ferreira)

“Produzo na precariedade, então nunca tive uma câmera profissional, não tenho computador e as fotografias que fiz foram de uma câmera precária”, diz, acrescentando que acredita muito na potência das imagens ressignificadas e descolonizadas. A fotocolagem como poética de reconstrução de mundos e afetos. “Consigo construir narrativas no meu próprio tempo através da fluidez dessas linguagens.”

(imagem: Laíza Ferreira)

Com a palavra, Laíza Ferreira:

“Acesso essas memórias como um campo de força onde crio outras possibilidades de existência. É uma forma de tecer outros caminhos e de compreender as próprias narrativas. Busco instigar o imaginário e nessa fluidez me reconectar com os que me antecedem e ressignificar as minhas dores. Investigo as minhas origens através da fotografia e colagem a partir do deslocamento de imagens.

Desde pequena me deixei guiar pela imaginação como rota de fuga e criação de outros lugares. Os saberes ancestrais estão entranhados nos processos errantes artísticos como poética de recriação de mundo. Sigo num emaranhado de movimentos contra-hegemônicos em que nossos corpos racializados formam um rizoma de afeto e ancestralidade”.

(imagem: Laíza Ferreira)
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