Como nasce um romance histórico de fôlego? Quais os métodos, os percalços e as investigações que estão por trás das páginas de uma grande obra? Para responder a essas perguntas, o premiado escritor, jornalista e cineasta João Silvério Trevisan compartilha as intimidades de sua carpintaria literária na atividade Viagem a Veneza – programação especial que será conduzida por ele na sede do Itaú Cultural (IC), em São Paulo (SP), em cinco encontros sequenciais, a ocorrerem nos dias 29, 30 e 31 julho e 1º e 2 de agosto. Neles, o autor destrinchará o passo a passo da gestação de seu romance Ana em Veneza (1994).
Nessa aclamada obra, Trevisan costurou laços entre realidade, ficção e personagens históricos, e, ao longo da jornada de Viagem a Veneza, ele revelará, minuciosamente, como fez esse entrelaçamento. A atividade – que integra a programação da atual edição do evento Todos os gêneros: mostra de artes e pluralidades, do IC –, assim, é voltada não só a estudantes, escritores e pesquisadores, como também a qualquer pessoa que tenha interesse em literatura e em processos de criação artística.
Para participar, é necessário inscrever-se – e isso deve ser feito, exclusivamente, por meio deste formulário on-line. As inscrições ficarão disponíveis a partir das 11h do dia 7 de julho. São 60 vagas, preenchidas por ordem de inscrição.
Uma odisseia literária em cinco atos
A estrutura dos cinco encontros segue, cronologicamente, as partes que estruturam Ana em Veneza e acompanham também a própria investigação histórica que Trevisan realizou para desenvolver essa obra. O objetivo de tal desenho é que os encontros funcionem, para os participantes, como um diário de bordo – e, também, como uma aula de narrativa.
No “Encontro I – Prelúdio: um dedo de prosa”, Trevisan compartilhará os métodos de trabalho que utilizou no romance mencionado e os problemas que enfrentou nas pesquisas para tal obra. Além disso, o autor fará a apresentação de um dos personagens do livro, o qual está inserido no contexto de uma icônica localização, numa temporalidade situada pouco antes da década de 1920: o compositor cearense Alberto Nepomuceno, na Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro (RJ), em 1919. Lembrando que tanto Nepomuceno quanto a confeitaria são reais, e que Nepomuceno de fato frequentava esse estabelecimento – mas a situação narrada por Trevisan envolvendo o personagem e a confeitaria é ficcional: trata-se da marcante dinâmica entre história e ficção (citada anteriormente) que caracteriza Ana em Veneza.
Nos três encontros seguintes (“Encontro II – 1ª parte: de Paraty a Lübeck”; “Encontro III – 2ª parte: a longa viagem” e ”Encontro IV – 3ª parte: exílios em Veneza”), o público cruzará continentes e temporalidades: desde a infância de Júlia da Silva Bruhns (mãe do escritor alemão Thomas Mann) e sua viagem de Paraty (RJ) para a Alemanha, acompanhada de Ana, mulher negra escravizada; passando pelos estudos de Nepomuceno em Roma, na Itália; e chegando até o emblemático e ficcional encontro dessas três figuras em Veneza, também na Itália, no ano de 1890.
O quinto e último compromisso – “Encontro V – 4ª parte: no vasto oceano da história” –como o próprio nome diz, propõe um mergulho na imensidão histórica já aventada, de modo a enfim conectar, numa espiral temporal estabelecida entre 1891 e 1991, os caminhos ferroviários e aéreos entre Berlim, na Alemanha; Viena, na Áustria; e Montreux, na Suíça.
João Silvério Trevisan é escritor, cineasta e um dos principais pioneiros do ativismo LGBTQIAPN+ no Brasil. Exilado nos anos 1970 – após o único longa-metragem que dirigiu ser censurado pela ditadura –, ele ajudou a fundar o histórico grupo Somos e o jornal Lampião da Esquina. Com 15 livros publicados, além de três prêmios Jabuti e três prêmios APCA (concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA)) no currículo, Trevisan tem uma produção artística profundamente conectada à sua militância política, o que lhe rendeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Viagem a Veneza – parte da mostra Todos os gêneros: mostra de artes e pluralidades [com acessibilidade em Libras]
Encontro I – Prelúdio: um dedo de prosa
quarta 29 de julho de 2026
às 18h
[duração aproximada: 90 minutos]
Encontro II – 1ª parte: de Paraty a Lübeck
às 18h
Encontro III – 2ª parte: a longa viagem
às 18h
Encontro IV | 3ª parte: exílios em Veneza
às 16h
[duração aproximada: 90 minutos]
Encontro V | 4ª parte: No vasto oceano da história
às 16h
[duração aproximada: 90 minutos]
[classificação indicativa: 18 anos, segundo autodefinição]
60 vagas – Inscrições via formulário on-line