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“Somos todos poeira de estrelas”, disse o famoso astrônomo Carl Sagan. Mas o que isso quer dizer? Você sabia que os seres humanos e os astros são feitos dos mesmos átomos, das mesmas partículas de matéria? Tudo no universo está interligado, e é fascinante e assustador ao mesmo tempo perceber como todos os processos naturais acontecem de forma perfeita e sincronizada, uma engrenagem que mantém a vida em curso.

Estamos aqui falando dos astros e dos movimentos dos planetas, que, juntos, estabelecem a lógica do dia e da noite, das estações do ano, das fases da Lua. Contudo, em se tratando da natureza, tudo ao nosso redor parece combinar para garantir que as coisas sejam como são: a temperatura e o clima; a geografia dos lugares em que moramos; as plantas e os animais que conhecemos e que habitam o mundo junto conosco; os recursos naturais, que nos fornecem diferentes formas de energia; os elementos indispensáveis: água, fogo, terra e ar; e até mesmo os alimentos que consumimos, provenientes das mais variadas fontes e que dependem de todos os fatores citados para crescer e garantir a nossa sobrevivência.

Desde o começo, a harmonia dos processos permitiu que nosso planeta prosperasse e se desenvolvesse, até chegarmos ao momento de agora, em que tudo permanece com uma complexidade de procedimentos que continuam sendo fonte de curiosidade, trabalho e orientação para os seres humanos. Ao longo dos séculos, inúmeros estudos e testes permitiram que nós avaliássemos o funcionamento, os usos e a importância da natureza para a organização do dia a dia e para o melhor aproveitamento de tudo o que ela nos oferece.

Comecemos pelo tempo: aprendemos a contá-lo, e assim conseguimos ter dimensão do dia, das semanas, dos meses e dos anos. Para tanto, diversos povos antigos gastaram muito tempo analisando e medindo essa passagem temporal, observando o comportamento dos astros, até chegar à criação dos calendários.

Embora no nosso país pessoas que vieram de lugares e culturas diferentes possam usar formas distintas de marcar o tempo, o calendário oficial que utilizamos no Brasil, e na maior parte do Ocidente, é o calendário cristão ou gregoriano. Ele toma como ponto de partida o nascimento de Jesus Cristo, que determina o ano 1. Esse é um calendário solar, portanto se baseia no movimento da Terra ao redor do Sol, e possui 365 dias, divididos em 12 meses, encerrando o ciclo de um ano.

(imagem: Divulgação)

Além dos calendários solares, existem muitos outros que marcam o tempo de outras formas, como o calendário lunissolar dos chineses, que se baseia tanto no Sol quanto na Lua, ou até mesmo os calendários exclusivamente lunares. A respeito destes, um exemplo é o primeiro calendário de que se tem conhecimento, atribuído pelos historiadores aos sumérios, e há também o calendário islâmico. Ambos tomam a lógica temporal da Lua – cujo ciclo dura em média 29,5 dias – como a base da organização de seus dias, o que faz com que tenham semanas e meses diferentes.

E, por falar em Lua, esse é um astro que sempre esteve ligado a processos tanto místicos quanto essencialmente naturais: segundo estudos, a gravidade da Lua é a responsável pelo movimento das marés e pela influência nas colheitas, e há até mesmo estudos de sua interferência em partos. A Lua possui quatro fases principais, com alguns calendários demarcando fases intermediárias, e cada uma delas perdura aproximadamente uma semana nos céus.

Para além da interferência dos astros no nosso cotidiano, outros fenômenos, como o clima e a temperatura, são essenciais para a organização dos nossos dias. Ao percebê-los, poderemos nos prevenir a respeito de um sem-número de situações: a roupa a usar naquele dia, para evitar desconfortos; quanto tempo é preciso para assar a minha comida (que varia no frio e no calor); se precisarei sair com um guarda-chuva para não me molhar; quais plantas vão florescer e se preciso regá-las com maior ou menor frequência. As próprias estações do ano, definidas pelo movimento de translação da Terra, ou seja, o movimento da Terra ao redor do Sol, também nos fornecem pistas para essas investigações: o inverno no Brasil é frio e seco, e o verão é quente e chuvoso, por exemplo.

(imagem: Divulgação)

E o que seria de nós sem os elementos da natureza? Sem a água, não beberíamos, lavaríamos ou tomaríamos banho, tampouco teríamos a geração de energia pelas hidrelétricas. Sem a terra, como obter alimento? Foi a agricultura que possibilitou, inclusive, que os seres humanos pudessem se instalar e construir as cidades, dando início às primeiras grandes civilizações e acabando com a necessidade de se deslocar de um espaço a outro após o esgotamento de seus recursos, como era quando havia predominantemente povos nômades. Sem o ar, não respiraríamos. O próprio ar é também essencial para o fogo, energia pura e base dos mais múltiplos processos, desde a primeira forma de aquecimento das pessoas na Antiguidade até a preparação de alimentos e a obtenção de matéria-prima para várias indústrias.

Diante dessas perspectivas, é impossível negar a importância dos fenômenos naturais em nossas vidas. Saber percebê-los, entendê-los e mensurá-los foi uma conquista gradual para a humanidade e está no cerne das nossas ações diárias, sem que sequer nos lembremos de que isso tudo é natureza coexistindo ao nosso redor, e permitindo a nossa vida dentro dela.

(imagem: Divulgação)

Apesar disso, muitos mistérios continuam. Se o ser humano eventualmente pode se gabar do domínio sobre o mundo natural, por diversas vezes ele também foi subjugado por esse mesmo mundo e por sua força. A relação com o que possuímos deve ser uma relação de troca: dar e receber, para que sempre possamos usufruir do grande presente que herdamos da configuração do nosso planeta. É necessário cuidar, para não ferir, destruir ou esgotar a natureza, sobretudo em benefício próprio, garantindo assim a preservação e a sustentabilidade da vida e dos recursos naturais.

Ainda há muito para ser descoberto, seja explorando o universo, os planetas ou o fundo dos mares; a influência do Sol, da Lua e das estrelas; as transformações naturais; as energias que são fornecidas por cada recurso; as fontes naturais que ainda não conhecemos; e até mesmo relações mais íntimas ou indiretas que ainda estamos com os olhos fechados demais para enxergar.

Que as investigações continuem! Vamos embarcar nesta nova aventura com a natureza.

Para inspiração, deixamos aqui algumas referências:

Chuva;
Nuvem;
Relógio para Perder a Hora;
Na Neblina, o Bom Piloto;
A Noite [Céu];
O Sol;
Constelação II;

A Constelação;
Estrela 3;
Água;
Ar.

Documento baixável I / Documento baixável II.

Confira todos os episódios da primeira temporada da Expedição Brasiliana aqui.

Expedição Brasiliana: faça um álbum e um calendário (imagem: Divulgação)
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