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A palavra portuguesa desenho vem do latim designare, cujo significado literal seria algo como sinalizar, apontar, marcar e traçar. Não à toa, quando pensamos em desenho, o que vem à nossa mente são contornos e linhas. Por essa característica de indicar uma direção, o desenho foi, durante muito tempo, pensado apenas como uma etapa preparatória de uma pintura ou gravura. Era quase sinônimo de esboço.

O desenho de observação parte de uma realidade exterior, ou seja, do que nossos próprios olhos veem, e da tentativa de passar essa imagem para o papel. Mas entre o que vemos e o desenho há uma série de aspectos: atenção – ao olhar algo, há certas características em que prestamos mais atenção e outras que não percebemos –, sentimento, materiais disponíveis, decisões. Podemos escolher se queremos desenhar no centro do papel ou nas bordas, se queremos um desenho grande ou pequeno, cheio de detalhes ou com formas simplificadas, apenas com linhas pretas ou todo colorido. Então, por mais que partamos de uma realidade exterior, o desenho será sempre bem diferente, porque ele passa totalmente pela pessoa que o faz.

Isso acontece até mesmo com as ilustrações científicas. Na coleção Brasiliana Itaú há imagens produzidas por vários ornitólogos, isto é, cientistas que estudam pássaros, que fizeram expedições no Brasil durante o século XIX. Apesar de todos estudarem o mesmo tema, seus desenhos são muito diferentes. Um deles, Johann Baptist von Spix, procurou registrar com riqueza de detalhes a forma e a configuração do corpo desses animais. Já Jean Théodore Descourtilz estava mais interessado no comportamento e no hábitat deles, então acrescentava no desenho as árvores onde os pássaros se encontravam e as frutas que comiam.

O desenho é uma das maneiras através das quais nos expressamos. É algo fundamental e com que temos muito contato antes da alfabetização. Mas isso continua por toda a vida, mesmo que não percebamos. Afinal, as letras são também desenhos.

Desenhamos também para lembrar. Hoje, ao fotografarmos um sem-número de imagens – seja por uma câmera, seja por um celular ou mesmo um computador –, podemos escolher como registrar uma memória. Antes da invenção da fotografia, não existiam tantos recursos para essa finalidade além da escrita e do desenho. Foi assim que, há quase 2 mil anos, Plínio, o Velho, contou a história de um casal que se amava muito, mas precisava se separar. Para não esquecer da figura do amado, a mulher desenhou com carvão o contorno de sombra do rapaz em uma parede. Essa é uma das muitas histórias que narram as supostas origens da pintura.

Mas a fotografia proporcionou aos desenhistas que eles descobrissem outras possibilidades que esse recurso oferece. Também é legal destacar que, para além da ideia de desenho realista, no final do século XIX e no início do século XX, nasceram diversos movimentos artísticos explorando traços, cores, a geometrização das formas ou a apreensão daquelas imagens indefinidas quando olhamos com rapidez.

Vemos que hoje o desenho pode continuar sendo esboço, observação, expressão, lembrança. Mas percebemos que é ainda uma ferramenta que pode servir aos diversos interesses humanos, mesmo em tempos de tantas tecnologias digitais. Ele está, inclusive, dentro delas: nos ícones dos aplicativos, no design dos videogames e nos desenhos animados. É também algo que fazemos sem perceber ou com gestos: rabiscando ao falar ao telefone ou indicando um caminho a alguém. 

Além disso, vemos que mesmo alguns usos antigos continuam encontrando espaço no mundo atual: na ilustração científica, já mencionada, o desenho realista ainda é uma das formas preferidas de investigar as espécies, mesmo com todos os recursos que as câmeras digitais oferecem. O papel, as tintas e os olhares mantêm seu encanto.

E você? Já parou para observar ao seu redor? Que tal perceber os desenhos das coisas e brincar com eles? Pensando nisso, elaboramos uma proposta de jogo que você pode fazer usando desenhos.

Jogo da memória

No vídeo deste episódio, trazemos diversas maneiras de desenhar a partir do que vemos. Propomos então que você faça um jogo da memória:

Selecione de cinco a dez objetos ou temas para desenhar;
Separe papéis de mesmo tamanho para ser as cartas do jogo. A quantidade deverá ser o dobro do número de objetos ou temas que você selecionou no item anterior;
Desenhe cada objeto duas vezes, ou seja, em dois papéis diferentes. Eles precisam funcionar como um par;
Tudo bem se o par de desenhos do mesmo objeto não ficar idêntico. A gente pode inclusive explorar maneiras diferentes de criar a relação entre os pares: podemos ter um par de mesma cor ou feito com o mesmo material ou técnica;
O mais importante é que as cartas, no verso, tenham todas a mesma aparência, para que seja mais divertido o desafio de encontrar os pares;
Fique à vontade para mudar o número de objetos ou temas e fazer mais de um jogo.

Boa diversão!

A seguir, deixamos algumas referências para inspiração:

Desenho;
Pastel;
Lápis;
Cor local;
Pontilhismo;
Naturalismo;
Arte figurativa;
Fauvismo;
Impressionismo;
Pós-impressionismo;
Cubismo;
Expressionismo;
Pitoresco;
Modelo vivo;
Retrato;
Perspectiva;
Frans Post;
Albert Eckhout;
Jean Théodore Descourtilz.

Expedição Brasiliana: observe e faça desenhos (imagem: Divulgação)
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