Classificação indicativa: Livre

Entre as diversas paisagens brasileiras – das praias ao cerrado, passando pelas matas fechadas – e as inúmeras espécies do reino animal, há uma classe especialmente diversa em suas cores, tamanhos, sons e particularidades: as aves. O Brasil é um dos países com maior diversidade e número de espécies de aves. E sabemos disso em grande parte devido a catalogações feitas nas expedições do século XIX, nas quais cientistas percorreram milhares de quilômetros território adentro observando, registrando e descrevendo esses animais.

Passados 200 anos, esse imenso material ainda é base de estudos na área. A maneira como chamamos internacionalmente uma espécie é composta de dois nomes: o gênero, que significa um grande conjunto de características que certo grupo de seres compartilha, e a espécie, ou seja, um grupo de seres com tanto em comum que podem se reproduzir. Eles são escolhidos a partir de nomes populares ou da pessoa que catalogou a espécie pela primeira vez! Assim, reconhecemos o nome de expedicionários como Spix no nome da ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e do príncipe Maximiliano Neuwied no bicudo-do-norte (Sporophila maximiliani).

(imagem: Divulgação)

Mas, se você comparar os nomes científicos das espécies com o escrito nas gravuras que compõem a Coleção Brasiliana, vai encontrar muitas divergências. Isso porque o conhecimento vai se somando, crescendo, se modificando e atualizando. E existem muitas formas de cultivar o saber! Uma delas, claro, é a já citada expedição rumo à natureza. Essa natureza, contudo, que frequentemente associamos a lugares selvagens cercados de plantas e animais, não se resume a isso. Ela está presente à nossa volta e em nós: afinal, somos também ela. Assim, outra forma de conhecer é pela observação no próprio lugar onde vivemos – proposta deste episódio.

Durante longo tempo, muitos humanos tiveram interesse apenas na raridade ou na excentricidade dos pássaros, colocando-os em gaiolas ou então colecionando suas penas, plumas, ovos e até mesmo empalhando-os inteiros para sua coleção. Não haviam aprendido ainda a admirá-los em sua liberdade, nos seus voos cheios de ir e vir. A observação de pássaros é um jeito de se encantar com esses seres, defender sua vida e se inspirar por suas habilidades, como a de voar e construir ninhos. Além de permitir que reconheçamos espécies e seus comportamentos sem sermos cientistas, os pássaros, assim como a gente, têm suas comidas preferidas e locais de que gostam mais.

(imagem: Divulgação)

E não só nesse sentido se parecem conosco. Muitos pássaros são grandes arquitetos da natureza: algumas espécies criam formas arquitetônicas para atrair a fêmea e, claro, há aqueles que constroem ninhos complexos de acordo com sua necessidade – dentro de troncos de árvores, suspensos em galhos ou no solo. Há uma infinidade de tipos, tamanhos e materiais utilizados. Inclusive, a mesma ave pode fazer muitos ninhos ao longo de sua vida e, comparando-os, pode-se notar melhorias nessas estruturas, pois ela também aprende com o que produziu. Vale dizer que, embora muitas culturas considerem artísticos apenas objetos criados por humanos, várias outras veem como arte coisas naturais – uma pedra, por exemplo. Podemos experimentar levar esse olhar às criações desses seres alados.

Para além da vastidão de pássaros conhecidos na natureza, há aqueles imaginados. A fênix, que ressuscita das cinzas, a harpia, mais veloz que o vento, o hipogrifo, metade águia e metade leão, o pássaro roca, tão forte que pode carregar um elefante em suas garras… E o canário falante com ideias sobre o mundo de Machado de Assis, no conto publicado em Páginas Recolhidas, presente na Coleção Brasiliana.

(imagem: Divulgação)

Em todos eles podemos reconhecer o poder encantado sobre o qual escreveu Rubem Alves, em que o segredo das penas do pássaro é o ar. E ele vai ficando mais e mais bonito, seus cantos mais e mais melodiosos, conforme voa para lugares distantes.

Para complementar nossas observações e criações de pássaros reais e imaginados, deixamos abaixo algumas referências:

Páginas Recolhidas;
Páginas Recolhidas;
Os passarinhos de Jean Théodore Descourtilz;

Cocotier Barrigudo (Ventrû);
Roseau Éventail;
[Ilustrações Zoológicas]
Historia Naturalis Brasiliae;

Documento baixável I / Documento baixável II.

Confira todos os episódios da primeira temporada da Expedição Brasiliana aqui.

Expedição Brasiliana: crie morada para pássaros (imagem: Divulgação)
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