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CineAula IC Play 2026 #7: Cinema, solidão e coletividade em “Solitude”

“Solitude” (2021), curta-metragem de Tami Martins e Aron Miranda, é o objeto desta sequência didática

Publicado em 14/09/2026

Atualizado às 21:09 de 10/09/2026

CineAula IC Play – 2a edição
Luz, câmera, educAção: 
o streaming gratuito do cinema brasileiro na sala de aula

por Igor Cardoso

Sequência didática #7: Cinema, solidão e coletividade em Solitude

Ficha técnica

Título:
Solitude
Ano de lançamento: 2021
Direção: Tami Martins e Aron Miranda
Estado: Amapá
Classificação indicativa: livre
Gênero: drama/experimental
Roteiro: Aron Miranda
Duração: 13 minutos
Produção executiva: Lara Lages
Direção de animação: Aron Miranda
Equipe de animação: Arnon Vicente, Arthur Delgado, Gizandro Santos e Joyce Nagamura, entre outros colaboradores
Direção de movimento/coreografia: Ana Caroline Santos e Jones Barsou
Direção de som: Aron Miranda
Sonoplastia e mixagem: Aron Miranda
Sinopse: O curta-metragem Solitude acompanha uma experiência de mergulho da personagem Sol em si mesma. A trajetória dela – percorrida em meio a divagações, silêncios aberrantes e paisagens de batelões mecânicos – convida a reflexões sobre solidão e isolamento. A montagem ilustra um retrato imemorial da condição humana: o pertencimento. Seja ele a uma causa, um sentimento, um território ou uma relação falida, trata-se de um elemento que, no caso de Solitude, transforma a narrativa em parte do fluxo do pensamento – e, assim, nessa obra, semeia forma e conteúdo ao mesmo tempo.

Uma jovem pedala uma bicicleta amarela por uma avenida à beira-mar, com os cabelos ao vento. Ao fundo, um barco navega pelas águas enquanto um grande sol avermelhado se destaca no céu azul.
Solitude (2021), de Tami Martins e Aron Miranda | imagem: divulgação

I. CARTA AO PROFESSOR – VAMOS PREENCHER DE CORES A SALA DE AULA?

Caro professor e cara professora,

Vivemos em um tempo marcado por excessos de imagens, ruídos e conexões rápidas. Paradoxalmente, nunca estivemos tão sós. A solidão atravessa o cotidiano da juventude contemporânea, seja nas relações mediadas por telas, seja nas experiências de deslocamento, silenciamento e apagamento de memórias individuais e coletivas. Nesse contexto, o Amapá – estado que pode ser considerado recém-formado se levarmos em conta a longa trajetória de outros territórios federais do Brasil – luta atualmente para se definir como protagonista no futuro do país.

Foi com base em uma obra do cinema amapaense – o curta-metragem de animação Solitude (2021), dirigido por Tami Martins e Aron Miranda, obra que aborda justamente as temáticas de memória, território e identidade, além da sensível experiência da solidão –, que estruturamos esta sequência didática do CineAula IC Play. Nossa intenção com ela é, em última instância, propiciar que o repertório audiovisual dos estudantes seja ampliado e fortalecer, nesses jovens, a compreensão do cinema enquanto linguagem de elaboração do vivido.

Esta sequência dialoga com outros conteúdos disponíveis na Itaú Cultural Play (IC Play) – a plataforma de streaming gratuita do Itaú Cultural (IC) – os quais, assim como Solitude, também versam sobre os assuntos descritos. Trata-se das obras Kanau’kyba (2021), de Gustavo Caboco e do coletivo Pedra do Bendegó; e de Utopia (2021), de Rayane Penha. Esses filmes, além de estabelecem, em seus enredos, relações entre narrativas individuais, coletivas e os contextos socioterritoriais da Amazônia, demonstram compreender o cinema como um espaço de elaboração da experiência, da preservação da memória e da construção de coletividade – e, por isso, dialogam diretamente com Solitude. A articulação entre essas montagens possibilita que os estudantes descubram, no audiovisual, uma linguagem capaz de transformar vivências individuais em narrativas compartilhadas e que o mencionado setor – no Amapá e na região Norte em geral – seja fortalecido como prática pedagógica, cultural e política.

Antes da covid-19, já se percebia um movimento de efervescência cultural no Amapá, especialmente nas cenas do rap, do grafite e do hip-hop. A ampliação do acesso da população do estado às tecnologias digitais e aos dispositivos de produção audiovisual aproximou diferentes núcleos criativos do cinema e da imagem, que passaram a servir como ferramentas de catarse, registro e emancipação social – processos parcialmente interrompidos pela pandemia, que acabou desarticulando coletivos e iniciativas em formação. No entanto, com o fim do período pandêmico e o passar do tempo, observou-se um movimento de rearticulação entre esses cineclubes, escolas, universidades, organizações da sociedade civil (OSCs) amapaenses – e, ainda que timidamente, o poder público. Os olhares, agora, voltam-se para o potencial criativo e econômico do Amapá: cresceu o interesse pela valorização do marabaixo, da música amapaense e do audiovisual do estado, utilizado tanto em campanhas institucionais quanto na projeção do território como novo polo cultural dentro da Amazônia.

É nesse contexto que precisamos falar do movimento do cineclubismo no Amapá, reconhecido historicamente como espaço de resistência cultural, formação crítica e preservação da memória audiovisual locais – e, por isso mesmo, considerado prática educativa e cultural fundamental no contexto desse estado. Mais do que serem meros espaços de exibição de filmes, os cineclubes operam ali como territórios de encontro, escuta e construção coletiva de memória – sendo esse último um aspecto especialmente importante no contexto de ameaça às expressões culturais locais vivenciado por esse estado.

Um exemplo de cineclube amapaense que ajuda a ilustrar a relevância da atuação desses espaços e de suas propostas é o Cine Pupunha. Fundado em 2023, no Espaço Baluarte, em Macapá (AP), ele surge como uma iniciativa independente e itinerante de jovens universitários amapaenses, que compreenderam algo fundamental: o acesso ao audiovisual não pode ficar restrito aos grandes centros urbanos, a estruturas tradicionais de difusão cultural, salas comerciais, festivais consolidados ou circuitos universitários isolados – em vez disso, precisa alcançar escolas, comunidades ribeirinhas, bairros afastados e juventudes historicamente alijadas desses espaços. Isso é necessário para que os múltiplos territórios, vozes e sensibilidades que compõem o país sejam valorizados, representados, vistos – e para que essa difusão contribua, assim, com o reconhecimento do audiovisual como direito cultural de todos e com seu fortalecimento enquanto instrumento de formação cidadã dos brasileiros.

Nesse sentido, o que buscaremos reproduzir, nesta sequência didática, é a estrutura de uma sessão de cineclube – que inclui não só a exibição de um ou mais filmes, mas também rodas de conversa, debates e oficinas acerca da(s) montagem(ns). A intenção é que a sessão (nesse caso, a aula) vá além de um momento de fruição estética e se constitua como experiência coletiva de escuta, troca e elaboração de sentidos, reforçando que o cinema é uma linguagem viva, capaz de provocar reflexão sobre temas de grande importância – como, por exemplo, direitos humanos, identidade cultural, diversidade, território e pertencimento. Esses são, conforme já mencionamos, assuntos tratados no filme-objeto de análise desta sequência: Solitude (2021). 

Falemos, então, um pouco mais sobre essa obra. Solitude integra o conjunto de produções audiovisuais contemporâneas realizadas no Amapá a partir do 1º Edital de Produção Audiovisual do estado, lançado em 2017. Além desse curta, tal edital revelou também outros premiados filmes, como Açaí (2020) e o já mencionado Utopia (2021). 

Solitude, assim como essas outras obras, reforça a potência do novo cinema amazônico e ensaia uma estética própria amapaense em relação aos sentimentos, às histórias e às identidades locais. O curta dirigido por Martins e Miranda se passa na Amazônia e conta a história de Sol, uma mulher de 25 anos que tenta se recuperar do sofrimento causado por um relacionamento abusivo. Para desenvolver o enredo de Sol, a narrativa traz também a Sombra dessa personagem – que, ao não aguentar ver o sofrimento dela, foge para o Deserto do Atacama. Depois disso, Sol, enfim, começa a retomar seus próprios sonhos e espaços, enquanto sua Sombra também busca a própria independência. Solitude aposta em uma narrativa sensorial, que valoriza mais os silêncios, os gestos e as paisagens que mostra – colocados como elementos centrais na construção de sentido do curta. 

Assim, essa obra é uma demonstração de maneiras pelas quais o cinema pode operar como meios de reflexão e elaboração simbólica de realidades vivenciadas, ainda que elas sejam muito difíceis. Solitude salienta a importância de existir um audiovisual que proponha a articulação entre saberes formais e saberes comunitários, entre conhecimentos acadêmicos e conhecimentos que emergem das práticas locais. Trata-se de uma montagem que mostra como o cinema, nesse panorama, não apenas documenta ou reproduz a realidade, mas atua como mediador de memórias e de histórias que poderiam permanecer invisíveis se não houvesse espaços de expressão delas. Nesse gesto de visibilização, constrói-se uma pedagogia que é também da sensibilidade, capaz de colocar em diálogo sujeitos de diferentes idades, trajetórias e contextos sociais.

Boa sessão!

A personagem, com cabelos brancos, caminha por um campo repleto de flores cor-de-rosa. Ao fundo, a paisagem apresenta colinas suaves sob um céu em tons claros e delicados.
Solitude (2021), de Tami Martins e Aron Miranda | imagem: divulgação

II. PLANO-SEQUÊNCIA

a) LuzAcendendo memórias e percepções

Objetivos

Estimular a oralidade, a escuta sensível e o pensamento crítico por meio da reflexão sobre a solidão na contemporaneidade, relacionando vivências pessoais, território e linguagem audiovisual. Abre-se a possibilidade de entrelaçamento entre conhecimentos e discussões em sala com as vivências dos estudantes.

Habilidades da BNCC

(EM13LGG602) Fruir e apreciar esteticamente diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, assim como delas participar, de modo a aguçar continuamente a sensibilidade, a imaginação e a criatividade.

(EM13LP20) Compartilhar gostos, interesses, práticas culturais, temas/ problemas/questões que despertam maior interesse ou preocupação, respeitando e valorizando diferenças, como forma de identificar afinidades e interesses comuns, como também de organizar e/ou participar de grupos, clubes, oficinas e afins.

Mãos à obra

Organize a turma em uma roda de conversa. Inicie a atividade fazendo perguntas abertas:

- O que é solidão para você?
- É possível se sentir sozinho mesmo estando acompanhado?
- Em que momentos a juventude se sente mais silenciada ou invisível? Quando você passou a perceber esse processo em sua trajetória?
- Você já participou de algum espaço coletivo (grêmio, grupo cultural, cineclube, projeto artístico)? Como foi essa experiência?

Na sequência, apresente brevemente o curta Solitude (2021) e seus diretores, destacando a importância da produção audiovisual e do cinema amapaenses como formas de registrar memórias e experiências locais.

Antes de partir para a exibição do filme, oriente aos estudantes que o assistam com atenção não apenas à história, mas às sensações provocadas pelas imagens, pelos sons e pelos silêncios presentes na montagem, de modo que eles consigam perceber a obra para além daquilo que veem.

Em seguida, realize a exibição do curta.

b) Câmera Olhar, escutar, sentir

Objetivos

Analisar criticamente os elementos da linguagem cinematográfica e compreender como o audiovisual pode expressar sentimentos, memórias e identidades coletivas.

Habilidades da BNCC

(EM13LP46) Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.

(EM13LGG502) Analisar criticamente preconceitos, estereótipos e relações de poder presentes nas práticas corporais, adotando posicionamento contrário a qualquer manifestação de injustiça e desrespeito a direitos humanos e valores democráticos.

Mãos à obra

Após a exibição, proponha uma roda de conversa cineclubista, com mediação aberta e horizontal. Alunos que sejam mais ativos podem também fazer essa mediação e propor perguntas para além das que estão descritas abaixo. Nessa mediação, oriente que os estudantes relacionem, em suas respostas, principalmente as sensações que foram despertadas neles durante a exibição do curta. Utilize questões como:

- Que imagens ficaram mais marcadas para você? Por quê?
- Como o silêncio é utilizado no filme?
- O ritmo do curta te aproximou ou te afastou da experiência narrada?
- Que relação você percebe entre solidão e território?
- De que forma o filme constrói memória?
- O que é o obstáculo a ser superado pela protagonista?

Caso seja necessário aprofundar a análise de enquadramentos, sons, cores e movimentos de câmera do curta, exiba novamente alguns trechos.

De acordo com a variabilidade que surgir nas respostas, incentive os estudantes a perceberem que não há uma única interpretação correta da montagem, e sim múltiplas leituras possíveis dela.

A personagem está deitada de bruços sobre a cama, com as pernas levantadas. Ela segura um celular próximo ao rosto, enquanto seus longos cabelos escuros se espalham pelas costas.
Solitude (2021), de Tami Martins e Aron Miranda | imagem: divulgação

c) AçãoDo isolamento ao encontro

Objetivos

Promover a experimentação do audiovisual como forma de expressão subjetiva e elaboração sensível das experiências individual e coletiva, por meio da articulação de escrita íntima, da produção de imagens e da reflexão crítica sobre o uso das tecnologias digitais. Buscar estimular a escuta de si e do outro por meio da criação autoral. Compreender o cineclubismo como uma prática educativa, ética e estética, que ajuda a desenvolver, ao mesmo tempo, autonomia criativa, responsabilidade no uso das mídias e pensamento crítico acerca dos processos de produção, mediação e interpretação de conteúdos digitais, incluindo o uso orientado da inteligência artificial (IA).

Habilidades da BNCC

(EM13LGG703) Utilizar diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais em processos de produção coletiva, colaborativa e projetos autorais em ambientes digitais.

(EM13LP15) Planejar, produzir, revisar, editar reescrever e avaliar textos escritos e multissemióticos, considerando sua adequação às condições de produção do texto, no que diz respeito ao lugar social a ser assumido e à imagem que se pretende passar a respeito de si mesmo, ao leitor pretendido, ao veículo e mídia em que o texto ou produção cultural vai circular, ao contexto imediato e sócio-histórico mais geral, ao gênero textual em questão e suas regularidades, à variedade linguística apropriada a esse contexto e ao uso do conhecimento dos aspectos notacionais (ortografia padrão, pontuação adequada, mecanismos de concordância nominal e verbal, regência verbal etc.), sempre que o contexto o exigir.

Habilidades da BNCC Computação

(EM13CO14) Avaliar a confiabilidade das informações encontradas em meio digital, investigando seus modos de construção e considerando a autoria, a estrutura e o propósito da mensagem.

(EM13CO22) Produzir e publicar conteúdo como textos, imagens, áudios, vídeos e suas associações, bem como ferramentas para sua integração, organização e apresentação, utilizando diferentes mídias digitais.

Desenvolvimento de oficina

Primeiro momento – Exibição e sensibilização

A aula inicia-se com as reflexões de Solitude ainda frescas na cabeça dos estudantes e mantém as condições propostas nas etapas anteriores (atenção ao silêncio, ao som e ao ritmo do filme). Oriente os estudantes a observar como o cinema pode transmitir sentimentos, estados subjetivos e atmosferas sem que tenha, necessariamente, de recorrer a diálogos ou explicações diretas.

Segundo momento – Escrita íntima e reflexão

Após a conversa coletiva sobre a linguagem do filme, proponha aos estudantes um exercício individual de escrita: cada um deles deverá escrever uma carta para si mesmo.

Essa carta não será compartilhada publicamente. Nela, os alunos podem registrar, de forma livre e honesta, seus medos, desejos, esperanças, receios, angústias, raivas, conquistas ou conflitos vividos no presente.

Reforce que não há certo ou errado: a carta pertence exclusivamente a quem escreve, e a leitura dela será feita, em silêncio, apenas pelo próprio estudante que a redigiu. Trata-se de um exercício de escuta interior, cuidado consigo e reconhecimento da própria experiência.

Terceiro momento – Criação audiovisual (atividade extraclasse)

Como desdobramento dessas reflexões, oriente os estudantes a levar a experiência da sala de aula para casa: a partir da carta escrita, cada aluno deverá produzir, utilizando o celular, um filme autoral de até um minuto. No caso de haver estudantes que não tenham experiência com montagens ou mesmo possibilidade de fazê-la, você pode auxiliá-los nessa tarefa, utilizando-se de programas de edição simples para finalizar as produções.

O vídeo deve expressar, direta ou indiretamente, os sentimentos presentes na carta. O formato é livre e pode assumir diferentes linguagens:

- filme poético,
- experimento visual,
- narrativa sensorial,
- imagens do cotidiano ou do território,
- uso de som ambiente, silêncio ou narração em off.

Não é exigido domínio técnico avançado. O foco está:
- na expressão sensível,
- na autoria,
- na relação entre experiência pessoal e linguagem audiovisual.

Quarto momento – Exibição, partilha e novo olhar

Na aula seguinte, organize uma sessão cineclubista para a exibição dos filmes produzidos pelos estudantes.

Faça a mediação da sessão priorizando o respeito, a escuta e o cuidado, sem obrigar os estudantes a explicarem conteúdos pessoais.

Após a sessão, exiba o curta Solitude novamente, convidando a turma a perceber o filme a partir de um novo olhar – agora, atravessado pelas experiências criativas e afetivas vividas no processo de produção de seus próprios filmes.

O debate final pode abordar questões disparadoras como:
- De que maneiras o cinema transforma solidão em encontro?
- O que muda quando criamos imagens a partir de nós mesmos?
- Como o audiovisual pode preservar memória e fortalecer a coletividade?
- De que forma seus sentimentos se transformaram ao serem traduzidos em imagens?

III. ATIVIDADE EXTRA COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – IA COMO ESPELHO IMPERFEITO DA EXPERIÊNCIA HUMANA

Proponha que os estudantes participem de uma atividade que será feita com base na utilização de ferramentas de IA. Aqui, elas devem compreendidas não como ferramentas criativas centrais, mas como sistemas automatizados de análise, a serem observados criticamente.

Habilidades BNCC Computação

(EM13CO01) Explorar e construir a solução de problemas por meio da reutilização de partes de soluções existentes.

(EM13CO05) Identificar os limites da Computação para diferenciar o que pode ou não ser automatizado, buscando uma compreensão mais ampla dos limites dos processos mentais envolvidos na resolução de problemas.

(EM13CO14) Avaliar a confiabilidade das informações encontradas em meio digital, investigando seus modos de construção e considerando a autoria, a estrutura e o propósito da mensagem.

(EM13CO17) Construir redes virtuais de interação e colaboração, favorecendo o desenvolvimento de projetos de forma segura, legal e ética.

Cada estudante deverá escrever um texto explicativo (prompt) para a ferramenta de IA de sua escolha, descrevendo:

- o que acontece no curta-metragem pessoal produzido;
- quais sentimentos o filme transmite (solidão, silêncio, memória, deslocamento, pertencimento etc.);
- quais emoções, imagens e sensações ele tentou expressar em seu próprio filme, informando que tal montagem foi produzida a partir da carta escrita para si mesmo.

A partir dessa explicação, a IA deverá gerar um texto interpretativo, descrevendo os sentimentos e sentidos que ela identifica, no filme produzido pelo estudante, a partir do prompt fornecido.

Em seguida, o estudante deverá comparar o texto gerado pela IA ao da carta original, refletindo, individualmente ou por escrito, sobre as seguintes questões:

- Quais sentimentos a IA conseguiu reconhecer corretamente?
- Quais sentimentos não apareceram ou foram simplificados?
- Houve distorções na interpretação da experiência?
- O que a IA não consegue captar quando se trata de memória, afeto e vivência pessoal?

A proposta não tem como objetivo validar a IA como autora ou intérprete definitiva, mas evidenciar seus limites, reforçando a importância da experiência humana, da subjetividade e da autoria no processo criativo. Ou seja, o esperado é que os estudantes reforcem as limitações da IA diante da memória, do afeto e da vivência subjetiva e que façam comparações críticas.

A personagem aparece de olhos fechados, em uma pose serena e contemplativa.Pequenas estrelas luminosas flutuam ao lado de seus cabelos brancos. O fundo abstrato mistura tons intensos de roxo, vermelho, rosa e dourado.
Solitude (2021), de Tami Martins e Aron Miranda | imagem: divulgação

 

III. CORTA ALGUMAS CURIOSIDADES E INDICAÇÕES

- Esta proposta foi pensada para a Escola Estadual Francisco de Oliveira Filho, localizada no distrito do Anauerapucu, no município de Santana (AP) – território marcado por isolamento geográfico, ausência de políticas públicas básicas e forte vivência comunitária.

- O uso do celular como dispositivo de criação é uma forma de reconhecer a realidade dos estudantes e de valorizar a autonomia, a experimentação e a produção que é possível ser feita com os recursos disponíveis.

- Kanau’kyba é uma animação que parte da narrativa da Pedra do Bendegó – maior meteorito já encontrado no Brasil e, ao mesmo tempo, uma expressão que significa “caminhos das pedras” na língua indígena wapichana. A obra articula visualidade e resistência, é marcada pelo contraste entre tons de vermelho e branco e reforça uma mensagem clara: a memória de um povo não pode ser apagada. 

- Utopia constrói um relato íntimo a partir das memórias da jovem diretora sobre seu pai, garimpeiro falecido. Fotografias, cartas e depoimentos compõem uma narrativa que costura o afeto, a perda e a exploração do território. Entre sonho lúdico e documentário, o filme propõe reflexões sobre utopia, pertencimento e as contradições da relação entre humanidade e terra, a memória e o esquecimento.

Importante lembrar que as obras citadas são utilizadas como referência estética e conceitual, não como material obrigatório de exibição: trata-se apenas de uma forma de dar mais corpo ao repertório dos participantes.

IV. SOBEM OS CRÉDITOS

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. BNCC Computação. Brasília, DF, 2022.
EISENSTEIN, Sergei. O sentido do filme. Apresentação, notas e revisão técnica de José Carlos Avellar; tradução de Teresa Ottoni. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.
EISENSTEIN, Serguei Mikháilovitch. Neravnodushnaia priroda: o stroenii veshchei [A natureza não indiferente: sobre a estrutura das coisas]. Moscou: Eisenstein-Center; Museu do Cinema, 2006. t. 2.
ITAÚ CULTURAL. IC Play. Plataforma de streaming gratuito de cinema brasileiro. Disponível em: https://www.itauculturalplay.com.br. Acesso em: 28 ago. 2026.
NAPOLITANO, Marco. Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2015.
PATEZ, Alex (org.). Cinema na Amazônia: textos sobre exibição, produção e filmes.
SOLITUDE. Direção: Tami Martins e Aron Miranda. Roteiro: Aron Miranda. Amapá: [s. n.], 2021. 1 vídeo (13 min). Disponível em: https://www.itauculturalplay.com.br/content/movies/solitude. Acesso em: 28 ago. 2026.

MINIBIOGRAFIA DO ELABORADOR

Igor Cardoso é artista visual, cineasta e professor, formado em Artes Visuais pela UNIFAP. Com trajetória ligada à linguagem audiovisual e à mediação social, leciona no Ensino Fundamental e Médio no Amapá, onde vivencia a realidade comunitária em Santana (Anauerapucu). Cofundador do Cine Pupunha (2023) e representante do projeto Cinema em Movimento, atua com exibições, oficinas e debates. Na produção audiovisual, atua em videoclipes e documentários pelas produtoras Wandel Filmes e Ixpia Filmes, realizou o documentário Luz, câmera e fita crepe e dirigiu, produziu e roteirizou o curta-metragem autoral Ausência. Além do cinema, trabalha com pintura e poesia.

CineAula IC Play é um projeto do Itaú Cultural (IC) que consiste na publicação periódica, aqui no site, de sequências didáticas baseadas em conteúdos da IC Play – nossa plataforma de streaming gratuita –, com o objetivo de promover o diálogo entre educação e cinema a partir de diferentes temáticas e da linguagem audiovisual. A iniciativa prevê o desenvolvimento de materiais educativos para subsidiar o trabalho com filmes disponíveis na IC Play em sala de aula, bem como em contextos análogos, como cineclubes, oficinas e centros culturais, buscando, assim, estimular a fruição audiovisual e valorizar o cinema brasileiro. Além disso, pretende aproximar a arte e a cultura da educação básica, fomentar o pensamento crítico e criativo dos estudantes e estabelecer um diálogo contínuo com professores da educação básica. O projeto foi criado e é coordenado por Camila Fink, Heloísa Iaconis e Tatiane Ivo.

Expediente desta sequência didática
Conselho editorial Heloísa Iaconis e Tatiane Ivo
Autoria Igor Cardoso (selecionado via edital)
Edição Marina Nicoli Garcia (terceirizada)
Revisão Heloísa Iaconis e Tatiane Ivo

Confira aqui as sequências didáticas da primeira edição do CineAula IC Play.

Clique aqui e conheça as demais sequências didáticas da segunda edição do CineAula IC Play.

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