O curta-metragem “Das raízes às pontas” (2015), de Flora Egécia, apresenta o relato de pessoas negras sobre a relação que elas desenvolveram com os seus cabelos
Publicado em 26/10/2026
Atualizado às 18:05 de 26/10/2026
CineAula IC Play – 2a edição
por Ana Paula Abreu
Sequência didática #9: Da raiz às pontas da diversidade
Direção: Flora Egécia
Classificação indicativa: livre
Gênero: Documentário
Duração: 20 minutos
Produção: Estúdio Cajuína
Produção executiva: Fernando Teles
Direção de fotografia: Rodrigo de Oliveira
Assistência de direção e montagem: Maurício Chades
Entrevistados: Ana Andrade, Antônio Andrade, Ellen Oléria, Fabíola da Costa Farias, Gabriel Sampaio, Maria de Lourdes Teodoro, Gisele Argolo, Ildete Batista, Luiza Batista, Mariana Soares, Melina Marques, Muha Bazila e Sheron Menezzes.
Sinopse: Das raízes às pontas apresenta o relato de diferentes pessoas negras, de diversas profissões e idades, sobre a relação que elas desenvolveram com os seus cabelos ao longo do tempo e sobre como essa relação foi e é influenciada por variados aspectos – como os contextos familiar, escolar e social de cada uma delas. Além disso, o documentário também traz as falas da professora, escritora e psicanalista Maria de Lourdes Teodoro, que aborda o tema das construções identitárias na sociedade – em especial, a negra. Com as entrevistas apresentadas, Das raízes às pontas convida a uma reflexão sobre assuntos como racismo, ancestralidade, pertencimento, identidade e resistência negra.
I. CARTA AO PROFESSOR – UM DIÁLOGO SOBRE IDENTIDADES NEGRAS
Caro professor e cara professora,
Esta carta é, antes de tudo, um convite a você. Um convite à promoção de um diálogo urgente, essencial e que deve ser conduzido com empatia, escuta ativa e cuidado junto aos estudantes. Trata-se de um convite para abordarmos e fazermos ecoar as falas e reflexões apresentadas no documentário brasileiro Das raízes às pontas (2015), dirigido por Flora Egécia e disponível no catálogo da IC Play, a plataforma de streaming gratuita do Itaú Cultural (IC); um convite para que, em especial, tratemos da construção identitária negra, abordada na obra por meio da relação que os entrevistados desenvolveram com seus cabelos – relação essa atravessada por temas como racismo, ancestralidade e padrões de beleza hegemônicos. Nesta proposta, não estimulamos respostas prontas, tampouco conclusões fechadas, mas sim um processo dialógico e reflexivo: pensar, sentir e questionar juntos.
II. PLANO-SEQUÊNCIA
a) Luz – Na raiz do documentário: antes da obra, as expectativas
Objetivos
Que os estudantes leiam e compreendam a sinopse do documentário Das raízes às pontas, a fim de que construam e compartilhem suas expectativas em relação à obra. Orientá-los a identificar temas que possam estar relacionados à obra e a expressar o que conhecem sobre eles, de modo que relacionem os assuntos abordados às próprias vivências.
Habilidades da BNCC
Mãos à obra
No início da aula, diga aos estudantes que eles vão conhecer a obra Das raízes às pontas, um documentário brasileiro de 2015, dirigido por Flora Egécia. Então, convide-os a ler os textos “Sinopse” e “Por que ver”, ambos disponíveis no link do filme na IC Play. Depois, incentive que os estudantes compartilhem suas expectativas em relação à obra e que expressem, também, como acreditam que ela pode se relacionar a temas que eles conhecem e às suas experiências pessoais. É possível propor, aos estudantes, questões como:
1. O que a expressão “das raízes às pontas” sugere a vocês?
4. Em “Por que ver”, é dito que a obra é referência no debate sobre “preconceito racial e afirmação identitária em escolas e espaços educacionais de todo o Brasil”. De que forma vocês acham que esses temas são abordados no documentário, considerando o que leram também na sinopse?
5. Como acham que a obra pode se relacionar às próprias experiências de vocês, ou ao que observam em seus entornos?
É esperado que os estudantes compreendam que o documentário aborda a relação de pessoas negras com seus cabelos e, com isso, perpassa questões relacionadas a reconhecimento, identidade, preconceito e afirmação identitária em espaços educacionais. Isso porque a própria sinopse do filme informa que ele traz, dentre outros depoimentos, relatos de uma professora e de uma estudante – e porque, nessa abordagem da relação de pessoas com seus cabelos crespos e cacheados, Das raízes às pontas trata, inevitavelmente, de como esses indivíduos se reconhecem dentro da sociedade e de como se apresentam diante dela.
b) Câmera – Interpretação expressa em arte
Objetivos
Produzir uma composição artística que expresse interpretações e reflexões promovidas pelo documentário Das raízes às pontas.
Habilidades da BNCC
(EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos.
Mãos à obra
- Agora pensando nas imagens do documentário: quais chamaram mais a atenção? Por quê?
- O que vocês entendem por representatividade negra, e qual a importância dela? Como esse conceito, na visão de vocês, se relaciona à obra?
- Como nossa identidade pode ser “construída”? E de que maneiras ela é atravessada por questões como nosso cabelo, nossa pele e outras características que temos?
Em relação às impressões dos estudantes sobre o documentário, espera-se que eles as compartilhem com a turma e que relacionem a obra às suas próprias vivências e observações da realidade. Quanto à representatividade, espera-se que os estudantes citem, entre outras questões, a importância de verem a diversidade representada em diversas obras e mídias. Nesse sentido, eles podem, por exemplo, fazer alusões ao relato dado pela atriz Sheron Menezzes sobre a memória que ela tem de, em sua infância, desejar representar uma princesa, mas ser reprimida pelos colegas, pois eles não a viam representada nesse tipo de personagem.
Será com essa pergunta em mente que os estudantes deverão produzir um pequeno trabalho artístico, a ser realizado individualmente ou em pequenos grupos de até cinco integrantes, para que eles expressem as relações que estabeleceram entre o conteúdo do documentário e as próprias vivências e observações da realidade. Para a realização dessa produção, os estudantes deverão escolher uma dentre as três possibilidades abaixo:
- Uso de palavras: poema.
- Apresentação com o corpo (e com palavras, se pertinente), em grupo: minipeça de teatro ou dança.
Tendo os estudantes escolhido o tipo de produção que irão realizar, permita que eles elaborem suas criações ao longo da aula. Se você preferir, contudo, que essa atividade seja desenvolvida de uma forma mais aprofundada e/ou no decorrer de mais aulas, é possível também propor que a turma faça pesquisas antes de criar o trabalho artístico em questão. Se esta última for sua escolha, seguem abaixo algumas sugestões de artistas cujas produções ajudam a reforçar identidades historicamente silenciadas:
Ao fim da tarefa de elaboração das produções artísticas, peça que os estudantes apresentem seus trabalhos para a turma e que compartilhem, nessa exposição, as reflexões (e pesquisas, se for o caso) que fizeram ao longo de suas criações. Solicite também que relacionem, de forma explícita, as próprias produções ao conteúdo de Da raízes às pontas e que expliquem como o documentário os auxiliou a refletir sobre identidade e diversidade. Além disso, incentive que, a cada apresentação dos colegas, os demais estudantes façam, sempre gentil e respeitosamente, comentários e perguntas.
c) Ação – Assim como Jussara
Objetivos
Produzir, com inspiração no filme Das raízes às pontas e por meio do uso de ferramentas digitais, um documentário sobre as identidades e diversidades da turma. Compartilhar, com a comunidade escolar, o documentário criado, fazendo também a divulgação da produção em mídias a serem selecionadas pela turma e/ou pelo professor.
Habilidades da BNCC
(EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos.
(EM13LP45) Analisar, discutir, produzir e socializar, tendo em vista temas e acontecimentos de interesse local ou global, notícias, fotodenúncias, fotorreportagens, reportagens multimidiáticas, documentários, infográficos, podcasts noticiosos, artigos de opinião, críticas da mídia, vlogs de opinião, textos de apresentação e apreciação de produções culturais (resenhas, ensaios etc.) e outros gêneros próprios das formas de expressão das culturas juvenis (vlogs e podcasts culturais, gameplay etc.), em várias mídias, vivenciando de forma significativa o papel de repórter, analista, crítico, editorialista ou articulista, leitor, vlogueiro e booktuber, entre outros.
Habilidade da BNCC Computação
(EM13CO22) Produzir e publicar conteúdo como textos, imagens, áudios, vídeos e suas associações, bem como ferramentas para sua integração, organização e apresentação, utilizando diferentes mídias digitais.
Mãos à obra
Inicie esta atividade com uma breve retomada do trabalho realizado na etapa anterior, questionando os estudantes, em especial, sobre as maneiras pelas quais eles sentiram que o documentário Das raízes às pontas serviu como um disparador de reflexões sobre identidade e diversidade. Incentive os estudantes a novamente compartilharem as pesquisas e conversas que realizaram ao longo do processo de criação da atividade passada.
- Como podemos nos inspirar no documentário Das raízes às pontas para criar nossa produção?
É esperado que os estudantes reconheçam que o documentário é um gênero de filme que aborda fatos – ou seja, não tem caráter ficcional. Abra para eles a possibilidade de que o documentário da turma seja baseado na produção de entrevistas, tal qual o é Das raízes às pontas. Diga aos estudantes que tais entrevistas podem ser feitas com os próprios colegas, com outros membros da comunidade escolar e/ou com familiares.
Oriente-os a seguirem, então, para a etapa de levantamento dos passos que eles deverão percorrer na produção do documentário – como roteirização em geral (ou roteirização de questões para entrevistas, se essa for a modalidade de documentário escolhida), filmagem e edição de filmagem, por exemplo. Nessa fase, os estudantes devem também fazer a listagem dos recursos digitais e físicos necessários, como smartphones e/ou computadores que tenham ferramentas para edição de vídeo e áudio.
III. CORTA – INDICAÇÕES
Para aprofundar as reflexões sobre o documentário Das raízes às pontas e sobre os temas por ele disparados, sugerimos:
- No site do Itaú Cultural (IC), a escuta do podcast “Versões do tempo - Reinvenções de pertencimento”, que traz a abordagem das artistas Aline Motta e Yasmin Thayná sobre a presença de pessoas negras no setor audiovisual.
- O uso da sequência didática Entre traços e versos: artes visuais e literatura negra, publicado em abril de 2025 na Enciclopédia Itaú Cultural. Nela, você encontra sugestões de atividades que exploram a arte de pessoas negras no Brasil e que empregam a abordagem de estudo proposta pela educadora Ana Mae Barbosa: criação; leitura da obra e contextualização histórica.
- O acesso aos conteúdos da plataforma Ancestralidades, desenvolvida por meio de uma parceria entre a Fundação Tide Setubal e o IC.
IV. SOBEM OS CRÉDITOS
BARBOSA, Ana Mae. Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Computação – complemento à BNCC. Brasília, DF, 2022. Disponível em: portal.mec.gov.br/docman/fevereiro-2022-pdf/236791-anexo-ao-parecer-cneceb-n-2-2022-bncc-computacao/file. Acesso em: 23 dez. 2025.
ESTÚDIO CAJUÍNA. Das raízes às pontas. Projeto de financiamento coletivo. Brasília, DF: Catarse, 2015.
INSTITUTO IBERO-AMERICANO DE MUSEUS; FUNDAÇÃO ITAÚ. Ancestralidades. São Paulo: Ancestralidades, [s.d.]. Disponível em: https://www.ancestralidades.org.br/home. Acesso em: 31 mar. 2026.
MINIBIOGRAFIA DO ELABORADOR
Ana Paula Abreu (ela/dela) é artista, professora e pesquisadora. Licenciada em artes visuais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), pós-graduada em linguagens e suas tecnologias pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e mestranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Ana Paula pesquisa o tema da identidade na contemporaneidade com base em autores como Homi Bhabha e Stuart Hall, com atenção especial às experiências amazônicas. Seu trabalho transita entre os campos da educação, da arte e da pesquisa, valorizando processos formativos sensíveis e críticos.
O CineAula IC Play é um projeto do Itaú Cultural (IC) que consiste na publicação periódica, aqui no site, de sequências didáticas baseadas em conteúdos da IC Play – nossa plataforma de streaming gratuita –, com o objetivo de promover o diálogo entre educação e cinema a partir de diferentes temáticas e da linguagem audiovisual. A iniciativa prevê o desenvolvimento de materiais educativos para subsidiar o trabalho com filmes disponíveis na IC Play em sala de aula, bem como em contextos análogos, como cineclubes, oficinas e centros culturais, buscando, assim, estimular a fruição audiovisual e valorizar o cinema brasileiro. Além disso, pretende aproximar a arte e a cultura da educação básica, fomentar o pensamento crítico e criativo dos estudantes e estabelecer um diálogo contínuo com professores da educação básica. O projeto foi criado e é coordenado por Camila Fink, Heloísa Iaconis e Tatiane Ivo.
Conselho editorial Heloísa Iaconis e Tatiane Ivo
Autoria Ana Paula Abreu (selecionada via edital)
Edição Thayslane Ferreira (terceirizada)
Revisão Marina Nicoli Garcia (terceirizada)
Confira aqui as sequências didáticas da primeira edição do CineAula IC Play.
Clique aqui e conheça as demais sequências didáticas da segunda edição do CineAula IC Play.