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CineAula IC Play 2026 #9: Da raiz às pontas da diversidade

O curta-metragem “Das raízes às pontas” (2015), de Flora Egécia, apresenta o relato de pessoas negras sobre a relação que elas desenvolveram com os seus cabelos

Publicado em 26/10/2026

Atualizado às 18:05 de 26/10/2026

CineAula IC Play – 2a edição
Luz, câmera, educAção: 
o streaming gratuito do cinema brasileiro na sala de aula

por Ana Paula Abreu

Sequência didática #9: Da raiz às pontas da diversidade

Ficha técnica

Título: Das raízes às pontas

Ano de lançamento: 2015
Direção:
Flora Egécia
Local: Distrito Federal
Classificação indicativa: livre
Gênero: Documentário
Duração: 20 minutos
Produção: Estúdio Cajuína
Produção executiva: Fernando Teles
Direção de fotografia: Rodrigo de Oliveira
Assistência de direção e montagem: Maurício Chades
Entrevistados: Ana Andrade, Antônio Andrade, Ellen Oléria, Fabíola da Costa Farias, Gabriel Sampaio, Maria de Lourdes Teodoro, Gisele Argolo, Ildete Batista, Luiza Batista, Mariana Soares, Melina Marques, Muha Bazila e Sheron Menezzes.
Sinopse: Das raízes às pontas apresenta o relato de diferentes pessoas negras, de diversas profissões e idades, sobre a relação que elas desenvolveram com os seus cabelos ao longo do tempo e sobre como essa relação foi e é influenciada por variados aspectos – como os contextos familiar, escolar e social de cada uma delas. Além disso, o documentário também traz as falas da professora, escritora e psicanalista Maria de Lourdes Teodoro, que aborda o tema das construções identitárias na sociedade – em especial, a negra. Com as entrevistas apresentadas, Das raízes às pontas convida a uma reflexão sobre assuntos como racismo, ancestralidade, pertencimento, identidade e resistência negra.

I. CARTA AO PROFESSOR – UM DIÁLOGO SOBRE IDENTIDADES NEGRAS

Caro professor e cara professora,

Esta carta é, antes de tudo, um convite a você. Um convite à promoção de um diálogo urgente, essencial e que deve ser conduzido com empatia, escuta ativa e cuidado junto aos estudantes. Trata-se de um convite para abordarmos e fazermos ecoar as falas e reflexões apresentadas no documentário brasileiro Das raízes às pontas (2015), dirigido por Flora Egécia e disponível no catálogo da IC Play, a plataforma de streaming gratuita do Itaú Cultural (IC); um convite para que, em especial, tratemos da construção identitária negra, abordada na obra por meio da relação que os entrevistados desenvolveram com seus cabelos – relação essa atravessada por temas como racismo, ancestralidade e padrões de beleza hegemônicos. Nesta proposta, não estimulamos respostas prontas, tampouco conclusões fechadas, mas sim um processo dialógico e reflexivo: pensar, sentir e questionar juntos.

Ao longo desta sequência didática, você e seus estudantes serão incentivados não só a olhar para a construção da identidade negra e para a diversidade do Brasil, mas também a considerar, nessa abordagem, as múltiplas perspectivas existentes na mencionada construção – como, por exemplo, os recortes históricos e artísticos que nela estão presentes. Nesse sentido, você deverá orientar os estudantes a, coletivamente, produzir um documentário que verse sobre a diversidade deles; nessa tarefa, será seu papel também ensiná-los sobre o uso consciente e ético de tecnologias digitais na abordagem de temáticas sociais importantes – como é o caso dos assuntos que serão tratados nesta sequência didática.

Assim, nesse mergulho em Das raízes às pontas, seu papel como professora e como professor será fundamental – não como quem conduz a turma pela mão, mas como quem cria um espaço seguro para que perguntas e compartilhamentos existam. Lembre-se sempre: caminhar por temas sensíveis exige escuta e humanidade. Ouvir os estudantes, acolher seus desconfortos, mediar conflitos de ideias e estimular o pensamento crítico são gestos pedagógicos potentes.

Que o trabalho com esta sequência seja desenvolvido com respeito, curiosidade e abertura por parte de todos. Que gere também mais perguntas do que respostas e se desdobre em muitos outros diálogos. E que você se sinta acompanhado em cada etapa desse processo.

Vamos juntos?

Uma mulher negra, com a cabeça inclinada para baixo, segura seus cabelos longos e trançados com as duas mãos. Ela veste uma blusa preta com listras brancas, brincos grandes prateados, anéis e várias pulseiras metálicas. Ao fundo, aparecem plantas de folhas verdes e uma parede em tons de cinza.
Das raízes às pontas (2015), de Flora Egécia | imagem: divulgação

II. PLANO-SEQUÊNCIA

a) Luz – Na raiz do documentário: antes da obra, as expectativas

Objetivos

Que os estudantes leiam e compreendam a sinopse do documentário Das raízes às pontas, a fim de que construam e compartilhem suas expectativas em relação à obra. Orientá-los a identificar temas que possam estar relacionados à obra e a expressar o que conhecem sobre eles, de modo que relacionem os assuntos abordados às próprias vivências.

Habilidades da BNCC

(EM13LGG204) Dialogar e produzir entendimento mútuo, nas diversas linguagens (artísticas, corporais e verbais), com vistas ao interesse comum pautado em princípios e valores de equidade assentados na democracia e nos Direitos Humanos.

(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais.

Mãos à obra

No início da aula, diga aos estudantes que eles vão conhecer a obra Das raízes às pontas, um documentário brasileiro de 2015, dirigido por Flora Egécia. Então, convide-os a ler os textos “Sinopse” e “Por que ver”, ambos disponíveis no link do filme  na IC Play. Depois, incentive que os estudantes compartilhem suas expectativas em relação à obra e que expressem, também, como acreditam que ela pode se relacionar a temas que eles conhecem e às suas experiências pessoais. É possível propor, aos estudantes, questões como:

1. O que a expressão “das raízes às pontas” sugere a vocês?
2. O que vocês entendem pelos termos “reconhecimento” e “identidade”, empregados na sinopse?
3. Como esses conceitos podem estar relacionados ao documentário?
4. Em “Por que ver”, é dito que a obra é referência no debate sobre “preconceito racial e afirmação identitária em escolas e espaços educacionais de todo o Brasil”. De que forma vocês acham que esses temas são abordados no documentário, considerando o que leram também na sinopse?
5. Como acham que a obra pode se relacionar às próprias experiências de vocês, ou ao que observam em seus entornos?

É esperado que os estudantes compreendam que o documentário aborda a relação de pessoas negras com seus cabelos e, com isso, perpassa questões relacionadas a reconhecimento, identidade, preconceito e afirmação identitária em espaços educacionais. Isso porque a própria sinopse do filme informa que ele traz, dentre outros depoimentos, relatos de uma professora e de uma estudante – e porque, nessa abordagem da relação de pessoas com seus cabelos crespos e cacheados, Das raízes às pontas trata, inevitavelmente, de como esses indivíduos se reconhecem dentro da sociedade e de como se apresentam diante dela.

No momento em que os estudantes falarem sobre as maneiras pelas quais a obra se relaciona às suas próprias vivências, é importante incentivar que aqueles de cabelos crespos e cacheados reconheçam o lugar de fala que possuem, uma vez que são eles quem vivenciam, pessoalmente, essa experiência de ter cabelos com características afro. Por outro lado, também faz-se importante que, nesse sentido, os estudantes de cabelos lisos e ondulados reconheçam que falam de uma perspectiva “de fora”, mas que também podem – e devem – contribuir com o diálogo justamente a partir desse ponto de vista, expressando o que observam ao seu redor e como enxergam seu papel na construção de uma sociedade mais justa e acolhedora para todos. De toda forma, acolha os comentários e compartilhamentos de experiências, reforçando a importância do respeito mútuo e da empatia.

Sugira que, ao fim da conversa, cada estudante faça, em seu caderno, uma rede de palavras e/ou expressões que eles perceberam terem sido mais citadas durante a discussão. Eles podem, por exemplo, registrar o nome do documentário ao centro de uma folha e inserirem, ao redor dele, campos relacionados ao título, preenchendo-os com palavras e expressões como “preconceito”; “cabelos crespos”; “educação”; “racismo”; “entrevistas” etc.

Duas crianças estão sentadas no chão de uma sala de aula, segurando pequenos espelhos retangulares com molduras douradas. Nos espelhos, aparecem os reflexos de seus rostos, enquanto um globo terrestre e papéis coloridos estão sobre o chão. Ao fundo, outras crianças estão sentadas em grupo, diante de mesas, cadeiras e murais coloridos nas paredes.
Das raízes às pontas (2015), de Flora Egécia | imagem: divulgação

b) Câmera – Interpretação expressa em arte

Objetivos

Produzir uma composição artística que expresse interpretações e reflexões promovidas pelo documentário Das raízes às pontas.

Habilidades da BNCC

(EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos.

(EM13LGG302) Posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação.

(EM13LGG305) Mapear e criar, por meio de práticas de linguagem, possibilidades de atuação social, política, artística e cultural para enfrentar desafios contemporâneos, discutindo princípios e objetivos dessa atuação de maneira crítica, criativa, solidária e ética.

Mãos à obra

Antes de reproduzir Das raízes às pontas em sala, peça que os estudantes tenham em mente a conversa inicial que vocês tiveram em relação às expectativas deles sobre o documentário, de modo que eles possam conferir se elas se confirmam, e/ou se eles percebem algum ponto que a obra desenvolve e não havia sido citado. Então, por meio dos recursos disponíveis na escola (como tela ou projetor), exiba o documentário para os estudantes. O ideal é que a turma possa assistir ao filme toda junta. 

Depois que os estudantes terminarem de assistir à obra, pergunte a eles o que acharam do documentário de uma maneira geral, incentivando que compartilhem, livre e oralmente, as primeiras impressões que tiveram. Depois, faça perguntas mais direcionadas, como:

- Em que vocês pensaram enquanto assistiam ao documentário? Fizeram alguma relação entre ele e a própria realidade de vocês, seja ela vivida na pele ou observada?
- Qual é a importância desse tipo de criação audiovisual?
- Quais falas/relatos mais chamaram a atenção de vocês? Por quê?
- Agora pensando nas imagens do documentário: quais chamaram mais a atenção? Por quê?
- O que vocês entendem por representatividade negra, e qual a importância dela? Como esse conceito, na visão de vocês, se relaciona à obra?
- Como nossa identidade pode ser “construída”? E de que maneiras ela é atravessada por questões como nosso cabelo, nossa pele e outras características que temos?
- Nossa identidade pode ser reprimida? Como e por quê?

Em relação às impressões dos estudantes sobre o documentário, espera-se que eles as compartilhem com a turma e que relacionem a obra às suas próprias vivências e observações da realidade. Quanto à representatividade, espera-se que os estudantes citem, entre outras questões, a importância de verem a diversidade representada em diversas obras e mídias. Nesse sentido, eles podem, por exemplo, fazer alusões ao relato dado pela atriz Sheron Menezzes sobre a memória que ela tem de, em sua infância, desejar representar uma princesa, mas ser reprimida pelos colegas, pois eles não a viam representada nesse tipo de personagem.

Sobre a questão da identidade, é esperado que os estudantes percebam que tal conceito diz respeito a quem somos e a como nos apresentamos diante dos outros – e que, nesse sentido, eles reconheçam a identidade como uma construção. No documentário, esse tema é citado por diversos dos entrevistados, mas o risco que corremos de abrir mão de nossa própria identidade aparece principalmente nas falas da professora, escritora e psicanalista Maria de Lourdes Teodoro: ela explica que essa renúncia pode acontecer por causa das violências e opressões impostas aos indivíduos pela sociedade. Ainda no que diz respeito à identidade, espera-se que os estudantes relacionem essas violências e opressões aos processos de colonização e escravização ocorridos tanto no Brasil, como em outros países do mundo – e que reconheçam que, para superá-las, há muita luta envolvida, em especial por parte dos movimentos negros, sejam eles organizados ou não, unificados ou não, conforme explica a própria Maria de Lourdes.

Para aprofundar essa questão identitária, registre no quadro a seguinte pergunta norteadora desta etapa da aula:

- Como o documentário Das raízes às pontas me fez pensar sobre minha identidade e sobre a diversidade à minha volta?

Será com essa pergunta em mente que os estudantes deverão produzir um pequeno trabalho artístico, a ser realizado individualmente ou em pequenos grupos de até cinco integrantes, para que eles expressem as relações que estabeleceram entre o conteúdo do documentário e as próprias vivências e observações da realidade. Para a realização dessa produção, os estudantes deverão escolher uma dentre as três possibilidades abaixo:

- Uso de imagens: desenho; colagem ou fotografias.
- Uso de palavras: poema.
- Apresentação com o corpo (e com palavras, se pertinente), em grupo: minipeça de teatro ou dança.

Tendo os estudantes escolhido o tipo de produção que irão realizar, permita que eles elaborem suas criações ao longo da aula. Se você preferir, contudo, que essa atividade seja desenvolvida de uma forma mais aprofundada e/ou no decorrer de mais aulas, é possível também propor que a turma faça pesquisas antes de criar o trabalho artístico em questão. Se esta última for sua escolha, seguem abaixo algumas sugestões de artistas cujas produções ajudam a reforçar identidades historicamente silenciadas:

- Daiara Tukano: artista visual da etnia indígena Tukano, Daiara é conhecida especialmente por suas pinturas em murais.
- Del Nunes: artista visual conhecido por suas colagens, sobretudo as digitais. Sua obra é repleta de elementos da representatividade negra e da cultura periférica.
- Felipe Sousa: fotógrafo que, em suas obras, valoriza a diversidade, questionando padrões de beleza construídos com base em visões hegemônicas e eurocêntricas.
- Coletivo Madalena Anastácia: as criações desse coletivo se dão no campo da linguagem corporal e exploram questões de raça e gênero, fortalecendo a luta contra opressões e violências históricas e socialmente construídas.
- Eva Potiguara: poeta da etnia indígena Potiguara. Semifinalista do Prêmio Jabuti de 2023, na categoria “Poesia” com seu livro de poemas Aby Ayala Membyra Nhe’engara (2022); e vencedora da mesma edição desse prêmio, no “Eixo Inovação”, categoria “Fomento à Leitura”, com a obra Álbum Guerreiras da Ancestralidade do Mulherio das Letras Indígenas (2022).

Ao fim da tarefa de elaboração das produções artísticas, peça que os estudantes apresentem seus trabalhos para a turma e que compartilhem, nessa exposição, as reflexões (e pesquisas, se for o caso) que fizeram ao longo de suas criações. Solicite também que relacionem, de forma explícita, as próprias produções ao conteúdo de Da raízes às pontas e que expliquem como o documentário os auxiliou a refletir sobre identidade e diversidade. Além disso, incentive que, a cada apresentação dos colegas, os demais estudantes façam, sempre gentil e respeitosamente, comentários e perguntas.

A imagem mostra um close de cabelos escuros, volumosos e organizados em mechas grossas ou dreadlocks. Algumas mechas estão presas no alto da cabeça por um acessório metálico prateado com pequenos furos.
Das raízes às pontas (2015), de Flora Egécia | imagem: divulgação

c) Ação – Assim como Jussara

Objetivos

Produzir, com inspiração no filme Das raízes às pontas e por meio do uso de ferramentas digitais, um documentário sobre as identidades e diversidades da turma. Compartilhar, com a comunidade escolar, o documentário criado, fazendo também a divulgação da produção em mídias a serem selecionadas pela turma e/ou pelo professor.

Habilidades da BNCC

(EM13LGG301) Participar de processos de produção individual e colaborativa em diferentes linguagens (artísticas, corporais e verbais), levando em conta suas formas e seus funcionamentos, para produzir sentidos em diferentes contextos.

(EM13LP45) Analisar, discutir, produzir e socializar, tendo em vista temas e acontecimentos de interesse local ou global, notícias, fotodenúncias, fotorreportagens, reportagens multimidiáticas, documentários, infográficos, podcasts noticiosos, artigos de opinião, críticas da mídia, vlogs de opinião, textos de apresentação e apreciação de produções culturais (resenhas, ensaios etc.) e outros gêneros próprios das formas de expressão das culturas juvenis (vlogs e podcasts culturais, gameplay etc.), em várias mídias, vivenciando de forma significativa o papel de repórter, analista, crítico, editorialista ou articulista, leitor, vlogueiro e booktuber, entre outros.

Habilidade da BNCC Computação

(EM13CO22) Produzir e publicar conteúdo como textos, imagens, áudios, vídeos e suas associações, bem como ferramentas para sua integração, organização e apresentação, utilizando diferentes mídias digitais.

Mãos à obra

Inicie esta atividade com uma breve retomada do trabalho realizado na etapa anterior, questionando os estudantes, em especial, sobre as maneiras pelas quais eles sentiram que o documentário Das raízes às pontas serviu como um disparador de reflexões sobre identidade e diversidade. Incentive os estudantes a novamente compartilharem as pesquisas e conversas que realizaram ao longo do processo de criação da atividade passada.

Diga que eles, agora, terão a oportunidade de empregar essas reflexões em uma nova criação, dessa vez obrigatoriamente coletiva, a ser feita pela turma toda em conjunto: um documentário, que deverá ser produzido por meio do uso de recursos digitais (descritos mais adiante). 

Retomando novamente Das raízes às pontas, proponha à turma que levante características do gênero documentário, fazendo perguntas como:

- O que é um documentário?
- Como podemos criar um documentário para abordar as identidades e diversidades da turma?
- Como podemos nos inspirar no documentário Das raízes às pontas para criar nossa produção?

É esperado que os estudantes reconheçam que o documentário é um gênero de filme que aborda fatos – ou seja, não tem caráter ficcional. Abra para eles a possibilidade de que o documentário da turma seja baseado na produção de entrevistas, tal qual o é Das raízes às pontas. Diga aos estudantes que tais entrevistas podem ser feitas com os próprios colegas, com outros membros da comunidade escolar e/ou com familiares.

Antes de os estudantes iniciarem a produção propriamente dita, incentive-os a assistir novamente ao documentário Das raízes às pontas em sala de aula; diga a eles que podem se dividir em grupos e assistir ao filme em smartphones – respeitando o uso pedagógico do aparelho, de acordo com a Lei nº 15.100/2025. Oriente os estudantes para que, dessa vez, se atentem mais a aspectos como os ângulos das filmagens, o uso de trilhas sonoras, as transições de cenas etc. e solicite que eles anotem recursos audiovisuais que julgarem interessantes, de modo que possam explorá-los na produção da turma. Ao fim dessa análise, os estudantes podem compartilhar oralmente as percepções deles.

Oriente-os a seguirem, então, para a etapa de levantamento dos passos que eles deverão percorrer na produção do documentário – como roteirização em geral (ou roteirização de questões para entrevistas, se essa for a modalidade de documentário escolhida), filmagem e edição de filmagem, por exemplo. Nessa fase, os estudantes devem também fazer a listagem dos recursos digitais e físicos necessários, como smartphones e/ou computadores que tenham ferramentas para edição de vídeo e áudio.

Feitos esses levantamentos, os estudantes podem se dividir em grupos, atribuindo a eles a responsabilidade pela execução de uma determinada tarefa conforme preferirem; a turma deve também estabelecer as datas até as quais cada passo da produção do documentário deve ser completado. Por exemplo: um grupo fica responsável pelo roteiro, que deve ser elaborado no prazo de uma semana; a outro grupo, cabe a tarefa de fazer a filmagem em si, a ser realizada em duas semanas; e um outro grupo fica incumbido da edição, a ser entregue duas semanas depois. Lembrando que esse foi só um exemplo: você deve incentivar os estudantes a serem protagonistas nessa organização do projeto – ou seja, eles podem explorar outros tipos de organização que não seja essa exemplificada. De qualquer forma, acompanhe o planejamento deles, de modo a validar e propor reflexões conforme você ache pertinente, mediando as discussões e auxiliando no levantamento de recursos.

Reforce também o seguinte: ainda que as tarefas envolvendo a produção do documentário sejam distribuídas aos grupos, é importante que os estudantes façam reuniões periódicas que englobem a turma por completo, a fim de que todos possam compartilhar, entre si, como está caminhando o desenvolvimento do trabalho e de garantir que a turma toda está de acordo com os rumos da produção.

Em relação às filmagens, sugerimos que todos os responsáveis pelos estudantes sejam, além de notificados da realização de tal etapa, informados que as filmagens serão produzidas para fins meramente didáticos e que o documentário ficará disponível em uma plataforma on-line da comunidade escolar (se for o caso) e/ou será apresentado em seções de exibição na escola. Caso algum responsável não autorize a filmagem de um estudante, permita que tal estudante participe mais ativamente dos bastidores da produção e que registre vídeos sob a perspectiva dele, mas sem aparecer fisicamente. Reforce, com esse estudante, que ele “aparecerá”, sim, no documentário – mas por meio da representação, nessas filmagens, do ponto de vista dele.

Desenvolvidas todas as etapas de produção e finalizado o documentário, solicite que os estudantes o divulguem em uma página da escola e compartilhem o link com familiares e outras pessoas da comunidade escolar. Eles podem também, por exemplo, gerar, em plataformas gratuitas, um QR code que dê acesso ao documentário e compor cartazes de divulgação que tragam esse QR code, fixando-os em murais na escola.

Outra opção, caso os estudantes e/ou você achem melhor  não disponibilizar o documentário em plataformas on-line, é exibi-lo à comunidade escolar. Essas exibições podem ser organizadas para ocorrerem em diferentes horários e datas (sendo, por exemplo, divididas por ano escolar), de modo que atendam uma diversidade maior de públicos. Ajude os estudantes a fazer essa organização das exibições e também a divulgação delas, orientando-os a compor cartazes que convidem os colegas da escola a assistirem ao documentário e que informem os horários, as datas e os locais de exibição da obra.

III. CORTA – INDICAÇÕES

Para aprofundar as reflexões sobre o documentário Das raízes às pontas e sobre os temas por ele disparados, sugerimos:

- No site do Itaú Cultural (IC), a escuta do podcast “Versões do tempo - Reinvenções de pertencimento”, que traz a abordagem das artistas Aline Motta e Yasmin Thayná sobre a presença de pessoas negras no setor audiovisual.

- O uso da sequência didática Entre traços e versos: artes visuais e literatura negra, publicado em abril de 2025 na Enciclopédia Itaú Cultural. Nela, você encontra sugestões de atividades que exploram a arte de pessoas negras no Brasil e que empregam a abordagem de estudo proposta pela educadora Ana Mae Barbosa: criação; leitura da obra e contextualização histórica.

- O acesso aos conteúdos da plataforma Ancestralidades, desenvolvida por meio de uma parceria entre a Fundação Tide Setubal e o IC.

Uma mulher negra aparece de costas, com o rosto de perfil, olhando para a direita. Os seus cabelos estão presos por um lenço vermelho, que se destaca na imagem. A iluminação suave e o fundo desfocado criam uma atmosfera intimista e contemplativa.
Das raízes às pontas (2015), de Flora Egécia | imagem: divulgação

IV. SOBEM OS CRÉDITOS

BARBOSA, Ana Mae. Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br. Acesso em: 23 dez. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Computação – complemento à BNCC. Brasília, DF, 2022. Disponível em: portal.mec.gov.br/docman/fevereiro-2022-pdf/236791-anexo-ao-parecer-cneceb-n-2-2022-bncc-computacao/file. Acesso em: 23 dez. 2025.
ESTÚDIO CAJUÍNA. Das raízes às pontas. Projeto de financiamento coletivo. Brasília, DF: Catarse, 2015.
FERREIRA, Eurico. O uso dos audiovisuais como recurso didático. 2010. Dissertação (Mestrado em Ensino de História e Geografia) – Faculdade de Letras, Universidade do Porto, Porto, 2010. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/55002/2/tesemesteuricoferreira000123322.pdf. Acesso em: 9 jan. 2026.
INSTITUTO IBERO-AMERICANO DE MUSEUS; FUNDAÇÃO ITAÚ. Ancestralidades. São Paulo: Ancestralidades, [s.d.]. Disponível em: https://www.ancestralidades.org.br/home. Acesso em: 31 mar. 2026.
ITAÚ CULTURAL. Entre traços e versos: artes visuais e literatura negra. São Paulo: Itaú Cultural, 2025. (Cadernos do professor). Disponível em: https://issuu.com/itaucultural/docs/entre_tra_os_e_versos_artes_visuais_e_literatura_. Acesso em: 31 mar. 2026.
ITAÚ CULTURAL. Versões do tempo – Reinvenções de pertencimento. Podcast. Itaú Cultural, 16 dez. 2022. Disponível em: https://www.itaucultural.org.br/secoes/podcasts/versoes-do-tempo-reinvencoes-de-pertencimento. Acesso em: 31 mar. 2026.
MORÁN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação & Educação, São Paulo, n. 2, p. 27-35, 30 abr. 1995. Disponível em: https://revistas.usp.br/comueduc/es/article/view/36131. Acesso em: 31 mar. 2026.
PAES, Bárbara. Das raízes às pontas. Ovelha, 15 jul. 2015. Disponível em: https://ovelhamag.com/das-raizes-as-pontas/. Acesso em: 31 mar. 2026.
PIRES, Eloiza Gurgel. A experiência audiovisual nos espaços educativos. Comunicação & Educação, São Paulo, v. 13, n. 2, p. 15-22, 30 ago. 2008. Disponível em: https://revistas.usp.br/comueduc/es/article/view/42298. Acesso em: 31 mar. 2026.

MINIBIOGRAFIA DO ELABORADOR

Ana Paula Abreu (ela/dela) é artista, professora e pesquisadora. Licenciada em artes visuais pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), pós-graduada em linguagens e suas tecnologias pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e mestranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Ana Paula pesquisa o tema da identidade na contemporaneidade com base em autores como Homi Bhabha e Stuart Hall, com atenção especial às experiências amazônicas. Seu trabalho transita entre os campos da educação, da arte e da pesquisa, valorizando processos formativos sensíveis e críticos.

O CineAula IC Play é um projeto do Itaú Cultural (IC) que consiste na publicação periódica, aqui no site, de sequências didáticas baseadas em conteúdos da IC Play – nossa plataforma de streaming gratuita –, com o objetivo de promover o diálogo entre educação e cinema a partir de diferentes temáticas e da linguagem audiovisual. A iniciativa prevê o desenvolvimento de materiais educativos para subsidiar o trabalho com filmes disponíveis na IC Play em sala de aula, bem como em contextos análogos, como cineclubes, oficinas e centros culturais, buscando, assim, estimular a fruição audiovisual e valorizar o cinema brasileiro. Além disso, pretende aproximar a arte e a cultura da educação básica, fomentar o pensamento crítico e criativo dos estudantes e estabelecer um diálogo contínuo com professores da educação básica. O projeto foi criado e é coordenado por Camila Fink, Heloísa Iaconis e Tatiane Ivo.

Expediente desta sequência didática
Conselho editorial Heloísa Iaconis e Tatiane Ivo
Autoria Ana Paula Abreu (selecionada via edital)
Edição Thayslane Ferreira (terceirizada)
Revisão Marina Nicoli Garcia (terceirizada)

Confira aqui as sequências didáticas da primeira edição do CineAula IC Play.

Clique aqui e conheça as demais sequências didáticas da segunda edição do CineAula IC Play.

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