Programação de 12 a 17 de maio reúne obras criadas e interpretadas por mulheres de diferentes regiões do Brasil
Publicado em 11/05/2026
Atualizado às 18:32 de 11/05/2026
Buscando conexões sensíveis e sinérgicas com a Ocupação Ana Botafogo, o Itaú Cultural (IC) apresenta, de 12 a 17 de maio, cinco obras de dança criadas e interpretadas por mulheres de diferentes estados do Brasil. Mais do que uma sequência de espetáculos, trata-se de um recorte curatorial que evidencia a pluralidade de caminhos da dança brasileira hoje, articulando eixos que atravessam corpo, território, tradição e reinvenção.
A trajetória de Ana Botafogo representa um marco na difusão do balé clássico no país. Em diálogo com esse legado, a programação propõe deslocar o olhar para outras camadas da produção contemporânea, revelando como diferentes artistas mulheres seguem expandindo, tensionando e reinventando as possibilidades da dança no país.
A abertura marca a estreia inédita de Ana Catarina Vieira, desenvolvida especialmente para esta ocasião. Em Cheia, a alagoana Joelma Ferreira convoca as águas de Oxum para refletir sobre poder, prazer e política na experiência de mulheres negras. Inaê Moreira, em Ecos da separação, constrói uma paisagem sensorial que atravessa memória, ancestralidade e diáspora. Em Locomotivas, Inaê Moreira, Marcela Filipe e Luara Olívia revisitam o frevo para evidenciar o protagonismo histórico de mulheres negras. E, encerrando a mostra em duas sessões, Q brô reúne Dudude e Lina Lapertosa em um diálogo entre improvisação, balé clássico e diferentes gerações da dança.
Toda a programação conta com interpretação em Libras. Os ingressos são disponibilizados pela plataforma INTI, a partir do dia 12 de maio, às 12h.
Confira a programação completa abaixo:
Transversa
terça 12 de maio
[classificação indicativa: 10 anos]
Reserve seu ingresso pela INTI [a partir de 12 de maio, às 12h]
Transversa nasce do deslocamento de um corpo atravessado por camadas de tempo, técnica e experiência. Do balé clássico, onde Ana Catarina Vieira aprendeu a construir linhas, às danças populares brasileiras, onde encontrou outras formas de existência. O solo investiga uma trajetória de mais de duas décadas: a repetição como procedimento não para retornar ao início, mas para tensionar estruturas e propor desvios. A dramaturgia se organiza como uma colagem de referências coreográficas que articula criações anteriores às questões do presente, compondo um campo de experimentação entre memória, técnica e existência. Transversa não é sobre voltar ao início. É sobre não caber mais nele.
Ana Catarina Vieira é bailarina, coreógrafa, pesquisadora, diretora artística e dramaturgista. Natural de São Paulo, iniciou sua formação em dança aos 8 anos e formou-se no método Vaganova. Foi integrante da Cia. Cisne Negro (1997–2002), circulando pelo Brasil e pelo exterior. Desde 2000, desenvolve ao lado de Ângelo Madureira uma pesquisa continuada que dialoga balé clássico e danças populares brasileiras. Premiada com APCA, Rumos Dança Itaú Cultural, Prêmio Klauss Vianna e Funarte, entre outros reconhecimentos, é bacharel em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC-SP e diretora geral do Grupo Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira.
Ficha técnica
Coordenação videográfica: Bruna Lessa
Cheia
quarta 13 de maio
[classificação indicativa: 10 anos]
Reserve seu ingresso pela INTI [a partir de 12 de maio, às 12h]
Estruturado pelos três Os: Poder, Prazer e Política, Cheia é um espetáculo de dança que reflete sobre a relação entre mulheres negras filhas de Oxum e o chão em que vivem. Territórios que se modificam a partir da presença dessas mulheres em seus processos de empoderamento, numa relação direta, porém aquosa, encantadora e subversiva com as águas que inundam o próprio corpo-território que são. A obra é fruto da pesquisa de mestrado da artista e estreou em 2023.
Joelma Ferreira é doutoranda em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, mestra em Culturas Populares pela Universidade Federal de Sergipe e graduada em Dança pela Universidade Federal de Alagoas. Intérprete criadora e pesquisadora na Companhia dos Pés desde 2009 — grupo que desenvolve criação em dança contemporânea a partir dos estudos das danças populares brasileiras —, é também capoeirista na escola ABADÁ-AL e uma das protagonistas do longa-metragem alagoano Cavalo (2020).
Ficha técnica
Ecos da separação
quinta 14 de maio
[classificação indicativa: 10 anos]
Reserve seu ingresso pela INTI [a partir de 12 de maio, às 12h]
Como o Atlântico Sul, que entrou pela fenda de um antigo continente há 140 milhões de anos, ou como a nuvem de areia que atravessa mais de 2 mil quilômetros do Saara às Américas, Ecos da separação alarga tempo e território. Uma aparição que traz ao palco uma experiência sensorial com frames de sonhos, gestos e sonoridades que resistem ao esquecimento e convocam presenças negras. Inaê Moreira cria relações poéticas com o N'goni, rochas e rastros de si mesma, enquanto a DJ Marta Supernova constrói paisagens sonoras em tempo real.
Inaê Moreira nasceu em Salvador (BA) em 1990 e é artista multilinguagem. Licenciada em Dança pela Universidade Federal da Bahia, vem encontrando caminhos para desaguar seu trabalho a partir dos saberes Yorubás e Bantu, criando performances e ativando espaços coletivos de pesquisa e fabulação negra. É mestranda em Artes pelo PPGARTES/UERJ e foi premiada em 2025 com a Bolsa ZUM do Instituto Moreira Salles.
Ficha técnica
Locomotivas
sexta 15 de maio
Teatro – 224 lugares
[classificação indicativa: 10 anos]
Reserve seu ingresso pela INTI [a partir de 12 de maio, às 12h]
Locomotivas ressignifica o frevo — patrimônio cultural brasileiro — em diálogo com o audiovisual e a dança contemporânea. Entre tradição e invenção, o trabalho transforma o corpo em motor e a memória em combustível, evocando narrativas silenciadas e celebrando a pluralidade de histórias e presenças que constituem o frevo. Inspirado na videodança homônima de 2021, que evidenciou o protagonismo das mulheres negras nessa manifestação, o espetáculo traça caminhos de resistência, improviso e reinvenção.
Inaê Silva é artista, pesquisadora e criadora em dança com 18 anos de trajetória, com formação enraizada nas danças populares de Pernambuco, especialmente o frevo. Graduanda em Dança pela Universidade Federal de Pernambuco, desenvolve pesquisa sobre as dimensões territoriais da diáspora que articulam danças urbanas e danças de rua.
Marcela Felipe é artista, dançarina, produtora cultural, brincante da cultura popular, passista de frevo, arte-educadora e pesquisadora das máscaras teatrais. Desenvolve projetos interdisciplinares que cruzam dança, teatro, música e audiovisual, e ministra oficinas com as linguagens da cultura popular e da improvisação.
Luara Olívia é fotógrafa, diretora de fotografia e realizadora audiovisual. Formada em Fotografia pela Universidade Católica de Pernambuco, atua em documentários, videoclipes, vídeo-danças e vídeo-artes, com foco em histórias atravessadas por corpo, memória e território.
Ficha técnica
Q brô
16 e 17 de maio
Teatro – 224 lugares
[classificação indicativa: 10 anos]
Reserve seu ingresso pela INTI [a partir de 12 de maio, às 12h]
Uma poesia em que duas pessoas, mulheres, constroem suas narrativas no caminho vivido — atualizando seus corpos com moveres onde o dançar é o espaço, respeitando suas singularidades. Q brô é cultivo, plantio de criação e entrega. Uma ode experimental que reúne duas artistas de trajetórias distintas: uma ligada à pesquisa da improvisação em dança, outra formada no rigor do balé clássico. Em cena, técnica, escuta e liberdade se entrelaçam no encontro de diferentes gerações e experiências da dança. O espetáculo é apresentado em duas sessões.
Dudude é dançarina, coreógrafa, professora e performer, premiada diversas vezes por suas criações. Integrou o Grupo Transforma, coletivo que marcou época em Belo Horizonte nos anos 1970 e 80. Aluna e companheira de trabalho de Marilene Martins e Klauss Vianna, atua há mais de cinco décadas no cenário cultural, desenvolvendo pesquisa autoral centrada na improvisação como linguagem poética e política.
Lina Lapertosa é médica ginecologista e bailarina, com longa história de dedicação à dança. Entre os anos 1970 e 2019, atuou na Fundação Clovis Salgado / Palácio das Artes – BH como estudante, professora e primeira bailarina da companhia de dança. O encontro entre as duas artistas aconteceu nos anos 1980 e o desejo de realizar uma parceria permaneceu latente por décadas, até se concretizar em Q brô.
Ficha técnica
Coordenação de produção: Patrícia Matos