Foi durante o programa de pós-graduação em música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que começou a colaboração entre os artistas Dario Rodrigues Silva, Sabrina Souza Gomes, Heitor Oliveira, Renan Simões e Gina Arantxa. A primeira semente foi plantada em agosto de 2015, quando o compositor Heitor Oliveira criou, em parceria com o pianista Dario Rodrigues Silva, a obra As Gerações dos Mortais Assemelham-se às Folhas das Árvores.

Desde então, o grupo se organizou no coletivo N-S-L-O, que propõe a colaboração entre compositor e instrumentistas no campo da música escrita e explora potencialidades estéticas da performance, como a interação com o público e a inserção de elementos visuais e gestuais no roteiro das peças musicais, dialogando com a música de concerto pós-1960. “Nosso processo de criação é colaborativo, a interação entre compositor e performers está em construção ao longo do processo. Os papéis tradicionais são tomados como ponto de partida, mas não assumidos como única possibilidade”, diz Heitor. “Ou seja, o compositor continua sendo responsável pelo planejamento da obra e pela escrita da partitura, porém a interação com os performers não é mediada unicamente pela escrita, mas também por meio de conversas, improvisações e sugestões ao longo de todo o processo, que envolve, portanto, uma série de etapas.”

Contemplado na mais recente edição do programa Rumos Itaú Cultural, o coletivo gaúcho está desenvolvendo um projeto em que a parceria entre compositor e intérpretes se dará ao longo de um percurso pelos locais de origem (ou de atuação) de seus integrantes. Com trajetórias e origens distintas, os integrantes do grupo ressaltam essa diversidade até mesmo no nome do coletivo: “Remete à diversidade de origens geográficas e culturais presentes em sua formação e também ao desenho do percurso ao longo do projeto”, diz Heitor. Estão previstos encontros em Porto Alegre (RS), Mossoró (RN), Ribeirão Preto (SP), Cáli (Colômbia) e Palmas (TO), onde serão realizadas oficinas de criação colaborativas entre os integrantes do grupo e também atividades abertas ao público local, como mesas-redondas, ensaios abertos, concertos e masterclasses.

Em cada localidade, uma nova obra será criada e apresentada ao público local. Porto Alegre foi a sede do primeiro encontro, em novembro do ano passado, considerado o “Prelúdio”. Em março será a vez de Mossoró, onde moram os violonistas Renan Simões e Sabrina Souza Gomes. Lá serão exibidas as primeiras peças compostas durante o projeto: "Novos Sururus e Quiprocós de um Convescote Chumbrega", para flauta, piano e assistência, e "Tudo É Perdido Quando o Desejo Fica Repartido", para casal de violonistas e assistência. Em Ribeirão Preto, onde o grupo se encontra em julho, está prevista a apresentação da composição "Charlas, Experiências Musicais Intimistas". Em outubro, os artistas desembarcam em Cáli, onde esperam apresentar "Episódios de Viagem". O encerramento será em março de 2020, em Palmas, com um grande concerto que incluirá a peça "Episódios de Viagem III: Rosa dos Ventos" e todas as outras composições criadas durante o projeto.

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