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O cantor e compositor André Abujamra sobe ao palco do Auditório Ibirapuera (sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h) para fazer o show de lançamento de Omindá – a União das Almas do Mundo pelas Águas, quinto disco de sua carreira solo, acompanhado de uma banda, de um coro de cantores da Trupe Chá de Boldo e de uma orquestra de cordas e sopros.

Inspirado na água, Omindá é resultado de 11 anos de trabalho e de muitas viagens do artista mundo afora, e celebra a diversidade e a comunhão pela arte. O projeto audiovisual – com um filme com imagens captadas por André no decorrer de suas viagens, que será projetado e sincronizado ao vivo durante a apresentação – teve a participação de artistas de 13 países (Argentina, Brasil, Bulgária, Estados Unidos, França, Índia, Japão, Jordânia, Mali, Portugal, República Tcheca, Rússia e Uruguai).

Omindá é o trabalho da minha vida, porque eu consegui concretizá-lo depois de 11 anos”, diz André. “Eu queria mostrar a união das pessoas por alguma coisa maior. E a água é o elemento que une o ser humano. Omindá quer dizer ‘água da alma’ [em iorubá]. Então, resolvi fazer a união das almas das pessoas pela água. Trata-se de uma viagem poética, musical e espiritual na qual as coisas se completam. É, ainda, uma homenagem aos meus pais.”

O artista, que desde 2004 apresenta de forma híbrida os seus trabalhos (que não são nem filme nem show, mas uma mistura das duas formas de arte), conta que a ideia de fazer o novo projeto surgiu logo após o encerramento da turnê do álbum Mafaro, lançado em 2010. A inspiração veio de repente, quando ele estava em uma praia, durante uma viagem à Ilha do Mel, no Paraná.

“Quando acabou o Mafaro, tive ‘depressão pós-parto’. Curti tanto, funcionou tanto que fiquei me perguntando o que eu faria depois dele”, fala André. “Tempos depois, eu estava na Ilha do Mel, ouvindo o mar. Não tinha vento. Comecei a fazer uma música e dela surgiu o Omindá. Decidi, então, criar um disco que falasse só sobre a água.”

Entre os artistas que participaram da gravação do trabalho (disco e filme) estão os estrangeiros The City of Prague Philharmonic Orchestra (República Tcheca), The Mystery of the Bulgarian Voices (Bulgária), Zaza Fournier (França), Ballaké Sissoko (Mali), Maria de Medeiros (Portugal), Sasha Vista (Rússia), Oki Kano (Japão), Perota Chingó (Julia Ortiz e Dolores Aguirre, Argentina), Rishab Prasanna e Sharat Srivastava (Índia), Martín Buscaglia (Uruguai) e os brasileiros Maurício Pereira, Ritchie, Paulinho Moska, Anelis Assumpção, Marcos Suzano, Ricardo Vignini e Trupe Chá de Boldo. A mixagem da obra foi feita em Berlim.

“Comecei a pesquisar os músicos que queria que participassem do Omindá, fui fazendo as composições, e o Aguinaldo Rocca – que é produtor do Mulheres Negras [parceria com o músico Maurício Pereira] – ‘comprou a minha loucura’”, diz André. “Eu viajei para diversos lugares do mundo, como Índia, Japão, Turquia, Rússia. Em alguns dias, nem sabia mais onde estava. Foi uma experiência incrível. Mas quando gravei com as vozes búlgaras – The Mystery of the Bulgarian Voices –, um coro só de mulheres, eu me arrepiei um pouco mais. Elas gravaram duas músicas para o meu disco. Foi muito emocionante.”

André Abujamra acrescenta que se sente muito feliz com o trabalho, já que, de forma geral, ele sintetiza a sua ideia de união não só das sonoridades, mas das pessoas do mundo. “Eu misturo indiano com búlgaro, batida africana... porque as coisas se completam. Consegui sintetizar uma ideia, que é a união desse mundo em que nós estamos, tão poluído e, infelizmente, com a noção das coisas tão invertidas assim. Eu acredito que as pessoas são iguais sendo diferentes”, diz. “As pessoas vão ver um projeto genuíno, bonito. Eu nunca fiz um trabalho dito como ‘sério’. Tudo meu é meio comédia. Então, decidi fazer Omindá. E estou muito exibido, muito feliz com ele.”

Apesar de Omindá – a União das Almas do Mundo pelas Águas nem ter sido apresentado ainda (nas plataformas digitais, o lançamento acontece no dia 22 de março), André Abujamra já adianta o que mais vem por aí. “No meio da minha viagem, quando estava indo da Grécia para a Bulgária, pensei o que faria depois do Omindá. Tive a ideia de fazer novos trabalhos com os demais elementos além da água”, conta. “Então, daqui a dois anos mais ou menos, quero lançar o próximo, que vai ser sobre o fogo (mas não necessariamente com esse nome). Depois, fazer outros sobre a terra, o ar e o quinto elemento – que até lá vão descobrir o que é. Até o final da minha vida, tenho todos esses projetos."

Banda
André Abujamra | voz, percussão e guitarra
Kuki Stolarski | bateria
Sergio Soffiatti | baixo
Chicão | piano
Mauricio Badé, Marcos Suzano, Alexandre Garnizé, Ari Colares e Valderval O. Filho | percussão
Ricardo Vignini | viola caipira
Ari Giordani | acordeom
Tiquinho | trombone
Marcelo Pereira | sax
Eliézer Tristão | tuba
Paulinho Viveiro | trompete

Coro – Trupe Chá de Boldo | Ciça Góes, Felipe Botelho, Filipe Nader, Gustavo Cabelo, Gustavo Galo, Guto Nogueira, Julia Valiengo, Leila Pereira, Marcos Mumu, Pedro Gongom, Rafael Werblowsky, Remi Chatain e Tomás Bastos

Orquestra
Fabio Tagliaferri e Elisa Monteiro | viola
Micaela Nassif, Mariana Ribeiro, Israel Fogaça e Otavio Teco | violino
Mario Manga e Ana Maria Carvalho Chamorro | violoncelo
Eric Silva | trompa
Shirley Holtz | oboé
Michel Baracat Arghirachis | fagote

André Abujamra [com interpretação em Libras] | INGRESSOS ESGOTADOS
sexta 23 e sábado 24 de março de 2018
às 21h
domingo 25 de março de 2018
às 19h
[duração aproximada: 70 minutos]

ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

[livre para todos os públicos]

 

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