Que energia move marionetes construídas de madeira, pano e resina? Como elas nascem e como ganham personalidade? Em sua 21ª edição, o programa Ocupação Itaú Cultural mergulha num universo lúdico e realiza uma viagem pela trajetória do grupo Giramundo. Em atividade há mais de 40 anos, o coletivo mineiro é referência no campo do teatro de bonecos ‒ tanto pela qualidade das suas produções quanto pelo grau de experimentação que elas trazem à cena. A mostra ‒ que conta com a curadoria de Beatriz Apocalypse, Marcos Malafaia, Ulisses Tavares e a equipe Itaú Cultural ‒ pode ser visitada gratuitamente de 29 de novembro a 11 de janeiro.

>> A Ocupação Giramundo conta com uma programação paralela. Saiba mais sobre os espetáculos:
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Além de bonecos originais representativos de diversos momentos do grupo, o percurso desvenda o processo de criação de personagens, passando pelo desenho, pela construção, pelo figurino e pela pintura. Marcos Malafaia destaca a importância do desenho para a companhia. "O Giramundo é um grupo que desenha. O espetáculo todo é visto anteriormente em um desenho", conta.

A Bela Adormecida, 1971A Flauta Mágica, 1991Alice no País das Maravilhas, 2013Auto das Pastorinhas, 1984Cobra Norato, 1979Gira Gerais, 2000Giz, 1988Miniteatro Ecológico, 2002 - 2003Orixás, 2001Pedro e o Lobo, 1993Pinocchio, 2005

Durante o período da mostra, às quintas e sextas-feiras, um artista instala sua oficina no espaço expositivo e o público pode assistir à concepção e ao nascimento de uma marionete. "No teatro de bonecos existe uma confluência muito grande de todas as belas-artes. A gente pinta, esculpe, interpreta, canta e o boneco está no meio disso. Ele é a mídia. Nós trabalhamos com ele para nos expressar em todas as formas", conta Ulisses Tavares.

Um boneco, no entanto, só revela todo seu poder e sua magia inserido em sua história, em seu contexto, ganhando vida durante a encenação. "Para ser um bom marionetista é necessário observar, observar muito a vida e a natureza para que seja possível reproduzirmos movimentos e expressões em cena", completa Beatriz Apocalypse. Por isso, aos sábados e domingos, o local vira palco para a apresentação de trechos de diferentes espetáculos da companhia.

Feitas para ser manuseadas de diferentes maneiras – por meio de fios, de varas, de luvas... –, as criaturas desenhadas, modeladas, pintadas e vestidas pelo grupo já estrelaram 34 espetáculos, também eles bastante diversos: de peças baseadas em contos de fadas ou lendas da cultura popular brasileira a óperas e apresentações multimídia.

O Giramundo foi fundado em 1970, em Belo Horizonte. Na década de 1950 o artista plástico Álvaro Apocalypse (1937-2003) tornou-se professor na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde conheceu sua futura mulher, Terezinha Veloso (1936-2003), também artista plástica e docente no local. Em 1970, os dois iniciaram uma parceria artística com a aluna Maria do Carmo Vivacqua Martins, a Madu, bolando apresentações cênicas informais para crianças, familiares e amigos. Dessas sessões surgiu a inventiva A Bela Adormecida, considerada a primeira produção do grupo.

Aos sábados e domingos, das 11h às 15h, trechos de espetáculos do grupo são apresentados em um palco montado dentro do espaço expositivo (a atividade não é realizada no dia da abertura, 29 de novembro). E, às quintas e sextas, das 15h às 20h, um artista instala sua oficina portátil no local – e o público pode assistir de perto à construção de uma marionete (o artista tira folga nos dias 25 e 26 de dezembro e 1º e 2 de janeiro). A Ocupação Giramundo ainda promove, no Itaú Cultural e no Auditório Ibirapuera, a exibição de cinco peças da companhia.

Para saber mais sobre a exposição e a história do grupo acesse a Enciclopédia Itaú Cultural e o hotsite da mostra.

Ocupação Giramundo
sábado 29 de novembro de 2014 a 11 de janeiro de 2015
terça a sexta 9h às 20h [permanência até as 20h30]
sábado, domingo e feriado 11h às 20h
Piso Térreo
[livre para todos os públicos]