obra: Revelando Acervos, da Fundação Vera Chaves Barcellos
selecionado: Fundação Vera Chaves Barcellos

Higienizar, catalogar, ordenar, disponibilizar. Esses são os verbos conjugados no projeto Revelando Acervos, da Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB), em Porto Alegre (RS). Fundada em 2005 pela artista plástica gaúcha Vera Chaves Barcellos, a fundação que leva seu nome surgiu, primeiramente, com a missão de preservar, pesquisar e difundir sua obra. Incentivar a criação e a investigação em arte contemporânea por meio de exposições, palestras, encontros e visitas mediadas tornou-se também um dos objetivos da fundação.

A FVCB é guardiã de duas grandes coleções artísticasO projeto pretende publicar um catálogo contendo uma espécie de síntese do conjunto de obras e documentos da instituição

Revelando Acervos, projeto contemplado pelo programa Rumos 2013-2014, do Itaú Cultural, tem como foco principal de atuação a preservação e a catalogação de dois conjuntos documentais específicos: o Fundo Vera Chaves Barcellos e o fundo do artista Claudio Goulart, também pertencente ao Centro de Documentação e Pesquisa da FVCB. Trata-se de catálogos de exposições, fotografias, fôlderes e clipagens, entre outros documentos que desenham e pontuam a trajetória profissional desses dois artistas. “São chamados de fundos porque contêm uma quantidade expressiva de documentos que precisam estar organizados para ser acessados e mais bem manipulados”, diz Carolina Biberg, coordenadora do projeto.

A FVCB é guardiã de duas grandes coleções artísticas. A Coleção Vera Chaves Barcellos abrange grande parte da produção visual da artista. Possui obras como a série Testartes (1976) – de trabalhos com imagens fotográficas e textos que propõem a participação do espectador –, representante brasileira na Bienal de Veneza de 1976; a série Epidermic Scapes (1977), premiada no 4o Salão Nacional de Artes Visuais, promovido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1977, e apresentada em uma exposição individual no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) em 1982; as séries fotográficas On Ice (Amsterdã, 1977) – criação partilhada com os artistas Flávio Pons e Claudio Goulart –, Manequins de Düsseldorf (1978), Memórias de Barcelona (1977/1978) e Per(so)nas (1980/1982). Na coleção encontram-se também instalações como Os Nadadores (1998) e O que Restou da Passagem do Anjo (1993), apresentada no Panorama da Arte Brasileira (1997), pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP).

A Coleção Artistas Contemporâneos reúne obras de nomes como Adriana Varejão, Claudio Goulart,  Mira Schendel, Nazareno, Nelson Leirner, Patricio Farías, Paulo Bruscky e Hudinilson Jr., entre tantos outros cujas produções formam o conjunto do acervo mantido pela fundação. A outra face do projeto Revelando Acervos é justamente a catalogação desse acervo.

A intenção, por fim, é que essa organização resulte na publicação de um catálogo contendo uma espécie de síntese do conjunto de obras e documentos da instituição. “Com isso, pretendemos não somente preservar e difundir o acervo, mas também que o acesso de pesquisadores aos itens dos fundos e das coleções possa ser facilitado e ampliado”, diz Carolina.

São mais de 7 mil documentos, entre cartazes, catálogos, convites, folhetos, fotografias, livros, periódicos, recortes de jornais e outros materiais relacionados à arte contemporânea preservados pelo Centro de Documentação e Pesquisa da FVCB. Além dos fundos dedicados aos trabalhos de Vera Chaves e Claudio Goulart, há ainda materiais referentes ao grupo Nervo Óptico, ao Espaço NO e à galeria Obra Aberta. Também são catalogados e guardados materiais recebidos diariamente por meio de contatos e intercâmbios com outras instituições culturais do Brasil e do mundo, assim como com artistas. Trata-se de preservar o passado para que, no futuro, ele possa alcançar o presente, tornando possível ressignificar histórias de outrora.

Para saber mais, acesse o site da fundação.