obra: Tudo Está Relacionado
selecionado: André Penteado

Tempo, memórias, sensações e conexões afetivas. Tudo Está Relacionado, projeto de André Penteado selecionado no Rumos 2013-2014, ainda está em processo, mas sempre teve nessas palavras os seus pilares, desde a sua concepção.

Autorretrato do artista André PenteadoAndré Penteado vai criar uma linha narrativa usando fotos suas e acervos herdados de alguns familiaresImagens digitais também fazem parte do projeto Tudo Está Relacionado

Penteado debruçou-se sobre um acervo pessoal (e digital) de fotografias, além de usar acervos herdados de alguns familiares. “Não é um trabalho somente sobre a minha família. Estou falando sobre memória e fotografia. O meu trabalho vai além das questões pessoais. Adicionei a ele a questão do que é uma fotografia. Estou tentando entender o que faz uma imagem ser mais forte para mim do que outra”, define.

Tudo começou com ele revendo todas as imagens produzidas entre 1996 e 2012. Depois de uma seleção, virá a etapa de ampliação em tamanho 10 x 15 centímetros. O acervo familiar, formado por álbuns dos pais, de uma tia, de avós e bisavós, será mantido no seu formato original. “Vou lidar também com fotografias que não fiz, mas que se conectam com a minha história”, explica. Como são mais frágeis, essas imagens serão colocadas em suportes e exibidas na parede.

O inusitado do projeto é onde ficará essa parede. Quando começou a conceber a ideia, Penteado queria alugar um apartamento, onde ficaria durante todo o processo, apenas com um colchão, sem TV nem internet. Nesse mesmo lugar quase vazio, ele receberia amigos e curadores para discutir sobre a seleção das imagens e, posteriormente, a porta seria aberta ao público, que poderia conhecer o material.

Tudo continua mais ou menos igual, mas, enquanto buscava o apartamento ideal, André Penteado deparou-se com um andar de escritórios e a ideia foi adaptada. “Troquei o espaço porque a minha intuição dizia que o que eu estava procurando não seria o melhor lugar”, conta. “Mudando para um escritório, não vou dormir mais lá.  Dormir no trabalho, há um ano e meio, era importante, porque eu não tinha um ateliê naquela época. Hoje em dia já trabalho 12 horas por dia em um espaço que é só meu. Dormir com o material eu já durmo desde agosto do ano passado”, completa.

A mudança para o andar de escritórios, no entanto, não foi fácil. André Penteado estava quase assinando o contrato de aluguel de um apartamento na Avenida Paulista quando cedeu à sua intuição e correu atrás do que tinha visto e que não tinha saído da sua cabeça. “Tive uma noite de insônia e mudei de ideia”, diz.

Entre amigos e curadores

Penteado vai criar uma lista de 30 pessoas que serão convidadas para visitar o espaço na etapa de seleção de imagens. “A partir de agosto, vou começar a chamá-las. A ideia é chamar mais de uma pessoa por vez, fazer um pequeno grupo composto de um amigo artista, um familiar e um curador, exatamente para haver conversas e trocas”, explica.

Depois virá a etapa de visita do público, com duas visitas guiadas por dia, com apenas dez vagas, por determinado período de tempo. “Vai ser para um número limitado de visitantes porque as coisas estarão soltas na mesa e são frágeis. Não me sinto confortável de abrir totalmente para o público. Mas esse pequeno grupo vai ser recebido por mim: vou passar um café e conversar com as pessoas”, diz.

Outra coisa que mudou foi que, no projeto inicial, André Penteado não mexeria em nada da parede depois que o espaço fosse aberto ao público. “Depois pensei: por que não? Se estarei lá, poderei mudar, sim! A cada conversa, e isso vale para a opinião do público também, vou mudar e testar coisas. Isso não tem como planejar. Não existe maquete, escala, lugar paras as coisas. No fundo, no fundo, eu nem sei o que estou fazendo ainda”, conclui.

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