Por Patrícia Colombo

Foi o trabalho coletivo da comunidade judaica progressista que, logo após a Segunda Guerra Mundial, fez nascer em 1946 a Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. A fim de preservar sua relevância cultural, a instituição desenvolveu o projeto Laboratório de Estruturas Flexíveis, que conta com o apoio do Rumos Itaú Cultural e propõe a aplicação de um programa de residência e de uma oficina de gestão.

Sede da Casa do Povo, no bairro paulistano do Bom Retiro | foto: divulgação
Sede da Casa do Povo, no bairro paulistano do Bom Retiro | foto: divulgação

 

“Essas duas frentes visam a uma reflexão acerca do atual momento da instituição e dos próprios modos de gestão do espaço. Por meio do mapeamento de diversas práticas e ferramentas de autogestão, a Casa do Povo repensa sua própria atuação”, explica Mariana Lorenzi, uma das coordenadoras do instituto.

Associação cultural sem fins lucrativos, o espaço conta com uma circulação mensal de mil pessoas e é atualmente gerido por uma rede de associados, uma diretoria voluntária, um conselho deliberativo e uma equipe responsável pela programação e pela manutenção da instituição. A gestão é privada, mas o interesse é público, já que suas atividades são gratuitas e abertas a diferentes públicos.

“Há mais de 60 anos a Casa do Povo atua como lugar de preservação da memória e centro cultural, em sintonia com o pensamento e a produção artística contemporânea”, diz Mariana. “A programação é flexível e se adapta a cada projeto. Os grupos em residência realizam suas práticas, focados no processo e na experimentação, e participam ativamente da gestão coletiva do espaço.”

Autorreflexão

O projeto é divido em três etapas. A primeira garantiu a formação de um grupo formado pela gestora e produtora cultural Malu de Andrade, pelo artista Amilcar Packer e por Thiago Vinícius, fundador do Festival Percurso – Periferia e Cultura em Rede Solidária. Para discutir formas de gestão, o trio vem se reunindo quinzenalmente desde janeiro de 2017.

A segunda etapa do projeto diz respeito à organização da Residência de Pesquisa para Coletivos. Os grupos selecionados devem iniciar suas propostas em julho de 2017. A etapa final, por sua vez, consiste em um seminário que será realizado em outubro com o objetivo de reunir gestores, artistas e pesquisadores, fomentando a troca de ferramentas de gestão.

“O projeto é baseado na ideia de que muitas instituições não são capazes de dar conta das constantes mudanças pelas quais o país passa”, afirma a coordenadora. “Daí a importância de propor um exercício a fim de questionar os próprios modos de existir, para que seja possível inventar outras estruturas.”

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