Classificação indicativa: Livre

O batismo do Carnaval brasileiro, em um momento de confirmação da festa popular como fenômeno urbano e de multidões, não poderia vir de outra personagem da história nacional: Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga (1847-1935). Afrodescendente embranquecida pelo racismo estrutural – sua mãe era filha de uma escravizada alforriada e o pai, um militar de família tradicional –, ela detinha a transgressão e o talento necessários para abrir alas por todo o país.

Autora de um expressivo acervo musical, que percorreu, mesclou e fez nascer novos gêneros e ritmos, a compositora e maestrina brasileira é a homenageada da 51ª edição do programa Ocupação Itaú Cultural. A mostra, em cartaz na sede do Itaú Cultural (IC) entre 24 de fevereiro e 23 de maio, resgata a trajetória da musicista, marcada por escândalos sociais e opressão, pioneirismo e liberdade, paixão e reconhecimento.

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A exposição – desenvolvida integralmente durante a pandemia de covid-19 – propõe um mergulho na criação obstinada de uma artista que esteve, em certos aspectos, tão conectada com seu tempo, mas que antecipou uma série de questões que envolveriam a vida da mulher moderna. Sua prevalência no presente se expressa em sua ousadia e na presença contemporânea de artistas negros que contam sua trajetória e revivem sua obra.

Além do espaço expositivo, que pode ser visitado mediante agendamento prévio, um site acompanha a mostra, com uma série de conteúdos on-line, como entrevistas em vídeo, artigos e matérias exclusivas. O portal é lançado na data de abertura da exposição.

Retrato mostra Chiquinha Gonzaga, com vestimenta da época e olhar sério.
Chiquinha Gonzaga (imagem: Acervo Instituto Moreira Salles)

Ocupação Chiquinha Gonzaga

quarta 24 de fevereiro de 2021
até domingo 23 de maio de 2021

terça a sexta 12h às 18h
sábado, domingo e feriado 11h às 17h
piso térreo

As visitas acontecem mediante agendamento

Entrada gratuita

[livre para todos os públicos]

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