O tempo são os anos 1960. Ditadura militar, censura, repressão, medo entre um cassetete e outro. Em meio a um cenário assim, neblina pura, surgem artistas que, com brilho e números alegres, desafiam, a seu modo, a ignorância vigente de então. Brigitte de Búzios, Camille K., Divina Valéria, Rogéria, Jane Di Castro, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos e Marquesa ganharam os palcos lá, naquele período, e, anos afora, 50 e mais, continuam a encantar e a ensinar muita gente. A primeira geração de intérpretes travestis tem o protagonismo absoluto em Divinas Divas, documentário lançado em 2017. Trata-se da estreia de Leandra Leal no posto de diretora, um resgate afetivo e delicado de talentos e histórias que compuseram a infância da atriz.

Do Rival ao coração

Elas revolucionaram o comportamento sexual e desafiaram a dita moral da época, a polícia, os olhares atravessados. Em cartaz no Rival, a trupe apresentava, além das performances, outra realidade ao país: uma possibilidade de dias mais empáticos e com representatividades várias, sem agressão ao outro por ele apenas ser quem é. Algo mais humano – sem esquecer das plumas e dos paetês.

A casa cênica, o teatro localizado no centro do Rio de Janeiro, era administrada por Américo Leal, empresário de peças de revista e avô de Leandra. Em 1990, o controle do local passou para Ângela Leal e, hoje, junto com a filha, dá vida nova ao espaço. O abrigo de Rogéria e companhia é, portanto, lar da comandante do filme: Leandra cresceu nas coxias do Rival, ao lado das divas e de seus shows. Na obra audiovisual, o bastidor também está presente, ponto que se entrelaça à intimidade das homenageadas, tudo com sensibilidade.

Alcançando o maior público de um documentário no país em 2017, além de diversos prêmios (como Melhor Filme pelo Júri Popular nos festivais do Rio e de Aruanda e no norte-americano SXSW), o título chega ao Itaú Cultural para que mais pessoas sejam tocadas por uma luta árdua e sublime. Após a exibição, Carol Benjamin, roteirista da narrativa, participa de um bate-papo, no qual, entre outros aspectos, abordará o processo de produção – que durou quase dez anos, rendeu mais de 400 horas de filmagens e contou com um crowdfunding e muitos, muitos corações.


Confira a programação completa de Terças de Cinema aqui.  

Terças de Cinema – Divinas Divas e bate-papo
terça 11 de setembro de 2018
às 19h
[duração do filme: 110 minutos | duração total do evento: aproximadamente 150 minutos]
Sala Itaú Cultural (piso térreo) – 206 lugares

Entrada gratuita

distribuição de ingressos
público preferencial: uma hora antes do espetáculo | com direito a um acompanhante – ingressos liberados apenas na presença do preferencial e do acompanhante
público não preferencial: uma hora antes do espetáculo | um ingresso por pessoa

[classificação indicativa: 14 anos]

Clique aqui para saber mais sobre a distribuição de ingressos.

 

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