por Encontro com o Espectador – Maria Eugênia de Menezes

O 19º Encontro com o Espectador foi uma edição extraordinária. Fora do calendário habitual – que prevê a discussão sobre determinado espetáculo no último domingo de cada mês –, o evento, promovido na tarde do dia 20 de maio, veio se integrar a uma programação especial do Itaú Cultural, a Todos os Gêneros – Mostra de Arte e Diversidade, que incluiu debates, lançamentos e peças teatrais.

Para o bate-papo especial, promovido pelo site Teatrojornal – Leituras de Cena, elegeu-se L, o Musical, obra do coletivo Criaturas Alaranjadas Núcleo de Criação Continuada (DF). No palco, a discussão mediada pelo crítico teatral Kil Abreu contou com a presença do diretor e dramaturgo Sérgio Maggio e da atriz e poetisa Elisa Lucinda.

Em pauta, não apenas as especificidades do espetáculo – que retrata um triângulo amoroso entre mulheres –, mas também o contexto que possibilita a emergência de criações artísticas devotadas à temática da diversidade. “Uma novidade histórica”, de acordo com as palavras de Kil Abreu. Para o crítico, a abordagem de questões de gênero nos palcos marca um momento em que uma parcela da sociedade, até então sem visibilidade, pode se sentir representada em cena.

A partir dessas colocações, o diretor Sérgio Maggio explicou sua escolha por aproximar-se da música popular brasileira. As diversas canções que fazem parte do espetáculo foram selecionadas pela capacidade que tiveram – muito antes de outras formas de arte brasileira – de acolher dilemas e questões da sexualidade lésbica. Dessa maneira, a música entra não apenas como meio de direcionar determinadas mensagens caras ao espetáculo, mas também como forma estruturante.

Rompendo com o modelo norte-americano de musical, que se popularizou no país a partir dos anos 1990, o título do coletivo Criaturas Alaranjadas prefere beber de fontes muito mais próximas à história brasileira, caso do teatro de revista, gênero teatral popular que alcançou grande sucesso nas primeiras décadas do século XX. O caráter satírico, essencial às revistas, comparece em L, o Musical, tornando possível que questões de aparente foro íntimo adquiram um componente social e político.

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