Da origem do Mawaca até agora, mais de duas décadas correram e essa história é o mote do show-celebração no Auditório Ibirapuera. “Há canções do primeiro disco e faixas recentes”, comenta Magda Pucci, diretora musical, a respeito do espetáculo.

Toda a criatividade e estudo resultam em um show fincado nos principais pilares do conjunto: repertório com composições de variados lugares; arranjos que buscam interseções com a música brasileira não mainstream (proposta apelidada de tramas étnicas); vocalistas que contam com uma base instrumental também protagonista. Fora o caráter performático, ferramenta essencial para quem entoa versos em mais de 20 idiomas.

Índia e Curdistão que encontram o Nordeste daqui. Irlanda que se aproxima da África Central. Japão que anda ao lado da Finlândia. Árabes e húngaros próximos, próximos. Ritmo espanhol que se funde ao baião. “O que me fascina é essa espécie de sincronicidade entre as canções, elementos semelhantes (e não iguais) que abrem oportunidades de diálogos”, explica a comandante da trupe.

Mawaca | foto: Noemi Melo

Nem o figurino escapa ao cortejo daquilo que é múltiplo: as roupas, criadas por Jessica Vidal, reforçam, em tecidos, linhas e cores, o lema do grupo – que se possa conviver (e se encantar!) com o outro, dissemelhante ao eu, sem preconceitos. Sem empecilhos.

A lista de convidados para a apresentação é mais um indício dessa vontade: Marcelo Pretto, Renato Braz, Miguel Briamonte, Eduardo Contrera, Edgar Bueno, Jorge Peña, Duo Ello (Carlos Stasi e Luiz Guello), Silvanny Sivuca, Banda Alana e demais participações. Em uma festa cuja renda dos ingressos será revertida para o percussionista Armando Tibério, que está em tratamento contra um câncer, as pontas que amarraram o início do Mawaca ganham nós, nós, nós – elo, pronome, gente abraçada a ideias que afloram como arte.  


Pelo fio dos anos

Em 1995, alguns artistas começaram a unir duas pontas no âmbito musical: pesquisa e pluralidade étnica. A semente primeira havia surgido em Magda Pucci, intérprete que alimentava, então, um grande querer: investigar o maior leque possível de vozes femininas e coletivas do globo. A partir dessa ambição, a arranjadora convidou profissionais interessados em sonoridades diversas e, assim, um grupo de estudos foi constituído. A turma tanto se entrosou que o conjunto virou também um grupo de performance. “O princípio era e é este: trabalhar inúmeras partes do mundo, diferentes sons e línguas”, afirma Magda.

Essência posta, faltava dar nome ao projeto. No The New Oxford Companion to Music, há o termo mawaka (com “k”), cujo significado, na língua hauçá (etnia do norte da Nigéria), é “cantores”, aqueles que atraem a força dos espíritos por meio da palavra cantada. O vocábulo, porém, carrega outros laços, como: Umawak’a, local sagrado das águas andinas; Amawaca (ou Amahuaca) designa um povo indígena habitante das bordas do Rio Orinoco; para os Meinacos, indígenas da margem esquerda do Rio Curisevo, waka representa os mensageiros entre as aldeias; em japonês, têm-se interpretações que vão desde “canto em harmonia” até “porta para a criação da arte de fazer poemas”. Diante de muitas acepções, optou-se, enfim, por um nome que abarca tamanha gama de sentidos e, ao mesmo tempo, possui um toque brasileiro na grafia: dessa forma, nasceu Mawaca (com “c”).

Mawaca
domingo 20 de maio de 2018
às 19h
[duração aproximada: 90 minutos]

ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)

[livre para todos os públicos]

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site Ingresso Rápido, em seus pontos de venda e pelo telefone 11 4003 1212Também estão à venda na bilheteria do Auditório Ibirapuera, nos seguintes horários:
sexta e sábado das 13h às 22h
domingo das 13h às 20h 

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