O som

Uma orquestra com formação de nove músicos, em shows menores, até cem, no Carnaval e em desfiles oficiais do bloco em datas comemorativas. O número de componentes varia, os instrumentos nunca. São os tambores do Ilê Aiyê – com ritmos inspirados no candomblé e também abertos para diálogos com outros tipos de sons da diáspora africana – os responsáveis pela sonoridade única do primeiro bloco afro do Brasil.

Compõem o corpo percussivo do Ilê os surdos, que no bloco recebem nominações e afinações específicas. O fundo 1 e o fundo 2 têm como função dar o tempo. A dobra de 1 é responsável pelo contratempo de um fundo para o outro, enquanto a dobra de 2 cuida de preencher o espaço vazio deixado pela dobra de 1, sendo um instrumento com mais notas. O martelo, por sua vez, alimenta o fundo, enquanto os repiques, mais agudos, ficam à frente. A caixa é o coração da banda, responsável por cadenciar o ritmo e, segundo os maestros (ou mestres), o único instrumento que não pode faltar de jeito nenhum. O mais livre de todos é o timbal, que faz variações e solos.

Nos desfiles oficiais, com a orquestra em formação completa, os graves são aumentados e são usados efeitos e outros instrumentos, como agogô e chocalho.

Em ambas as formações, reduzida ou completa, quem anuncia que o bloco vai começar seu desfile são os tambores. Eles também são o principal meio de comunicação entre o mundo espiritual e o material. A partir do momento em que saem dos terreiros de candomblé, onde são tratados como deuses, e vão para as ruas, os tambores não só ditam o ritmo do Ilê como se colocam no mundo como um ato de resistência. São os tambores do Ilê Aiyê que propiciam a comunicação direta com tudo e todos.

Registros da saída do Ilê Aiyê no Carnaval de 2018 | foto: Richner Allan

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Band'Erê

Nascida em 1992, a Band’Erê tem como objetivo envolver jovens e crianças em uma atividade extracurricular que venha preenchida com o conhecimento da cultura negra. Em 1995 é criado o Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê, que amplia e sistematiza as ações educacionais promovidas pelo bloco por meio de cursos para professores, supervisores e orientadores de escolas da rede pública. Essa ação impulsiona ainda mais a Band’erê, que passa a oferecer, além das aulas de percussão, conteúdos sobre cidadania, história, literatura, saúde corporal, dança, canto e coral.

Hoje, há mais de 25 anos da criação da Band’erê, é possível encontrar grande parte das primeiras turmas na Senzala do Barro Preto na Band’Aiyê, banda profissional do Ilê, responsável pelos carnavais e shows do bloco.

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Seção de vídeo

O samba afro do Ilê

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Isso é samba afro?

foto: Richner Allan

Você consegue identificar o samba afro, gênero musical criado no Ilê Aiyê? Assinale com “sim” as músicas que para você se encaixam nesta categoria.

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A voz do Ilê

A música foi e ainda é uma das principais expressões do Ilê Aiyê. As melodias permitiram que o samba afro, esse ritmo cadenciado tão característico do bloco, se consagrasse. As letras carregam consigo a alegria e as reivindicações que fazem do Carnaval no Curuzu um ato político, além da reafirmação da raça e da valorização do existir e do ser como pessoa negra. É possível conferir a força dessas composições na playlist Que Bloco É Esse?

 

Os cantores do Ilê, acompanhados da Band’Aiyê, levantam a avenida e encantam não só Salvador, mas o mundo todo. As composições do bloco foram cantadas e homenageadas por grandes nomes da música, que podem ser conferidos na playlist Quem Canta Ilê Aiyê?