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O Itaú Cultural inaugura sua série de exposições do ano com um dos principais nomes da história da dança no Brasil, Angel Vianna. Bailarina, coreógrafa e pesquisadora do movimento, Angel realiza desde a década de 1950 uma profunda investigação voltada para o corpo e o seu deslocamento no espaço. A Ocupação Angel Vianna – que abre no dia 28 de fevereiro, com visitação até 29 de abril – revela momentos importantes dessa carreira e celebra, por meio de vídeos, fotos e documentos, a energia e a sensibilidade de uma artista que, prestes a completar 90 anos, permanece plenamente ativa e deixando-se instigar pelo mundo. Espetáculos que contam com a bailarina na direção ou no palco – como Ferida Sábia e Amanhã É Outro Dia – fazem parte da programação paralela.

Angel Vianna - foto: André Seiti / Itaú CulturalCena do espetáculo "Construção" (1978), com coreografia de Angel e música de Egberto Gismonti. Um dos últimos trabalhos do Grupo Teatro do Movimento - foto: autor desconhecido/acervo família ViannaAngel Vianna, Belo Horizonte, 1961 - foto: foto: autor desconhecido/acervo família ViannaAngel Vianna e o bailarino Henrique Rodovalho em cena no espetáculo "Movimento Cinco Mulher" (1987), coreografado por Rainer Vianna - foto: autor desconhecido/acervo família Vianna

Angel – no sentido contrário à noção moderna de dissociação entre corpo e mente – dedicou-se a estudar o ser humano completo, dono de um corpo que sente e pensa por inteiro. A artista iniciou sua carreira em Belo Horizonte, cidade em que nasceu em 1928 e onde fez sua primeira formação, em balé clássico. Foi ainda na capital mineira que ela encontrou seu companheiro de vida e de obra, Klauss Vianna (1928-1992). Da parceria profissional surgiu a primeira escola de dança; e do amor, o filho do casal, Rainer Vianna (1958-1995) – também devotado ao universo da dança.

> Saiba aqui mais informações sobre as visitas educativas na exposição

Na década de 1960 Angel passou um período em Salvador, onde deu aulas na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e integrou como bailarina o Grupo Juventude Dança, dirigido pelo coreógrafo alemão Rolf Gelewski. Depois dessa temporada, em vez de retornar para Belo Horizonte, fixou-se no Rio de Janeiro, onde desenvolveu uma série de iniciativas em dança.

Trabalhou por cerca de nove anos na Academia de Balé Tatiana Leskova como professora, pesquisadora e coreógrafa, além de iniciar seus estudos em expressão corporal.  Ainda na capital fluminense criou o Centro de Pesquisa Corporal – Arte e Educação (1975), na sequência o Grupo Teatro do Movimento (1976), considerado um dos pioneiros na dança contemporânea brasileira, e na década de 1980 o Centro de Estudos do Movimento e Artes – Espaço Novo (1983). Fundamentado na ideia de que todo ser humano é criador e de que as particularidades individuais são a essência dessa criação, o trabalho de Angel estendeu-se para além dos campos artístico e educativo, chegando também ao terapêutico.

Como bailarina, depois de alguns anos de ausência, Angel voltou aos palcos em Movimento Cinco: Mulher (1987), coreografia de seu filho. A isso seguiram-se outras participações em obras coreográficas e performáticas, como Memória em Movimento (1998), Qualquer Coisa a Gente Muda (2010), Ferida Sábia (2012) e Amanhã É Outro Dia (2016).

Além da exposição, fazem parte da Ocupação Angel Vianna uma publicação impressa – com artigos escritos pela curadora da mostra, a coreógrafa e bailarina Ana Vitória, e pela vice-diretora da Angel Vianna Escola e Faculdade de Dança, Márcia Feijó, entre outros nomes – e um site (itaucultural.org.br/ocupacao), no ar a partir do dia 28 de fevereiro.

Saiba mais sobre Angel Vianna na Enciclopédia Itaú Cultural.
 

Ocupação Angel Vianna

abertura
quarta 28 de fevereiro de 2018
às 20h 

visitação
quinta 1 de março a domingo 29 de abril de 2018
terça a sexta, das 9h às 20h [permanência até as 20h30]
sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
piso térreo

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