Último registro de Anísio Teixeira em vida, no sítio da família em Itaipava (RJ), março de 1971 | foto: Acervo Família Anísio Teixeira
Da terra natal, Caetité, no interior da Bahia, onde morou até os 14 anos, Anísio Teixeira conservou, vida afora, uma essência sertaneja. A isso, somam-se a educação jesuítica e um jeito absolutamente reservado, nada afeito a vaidades e holofotes, elementos que nos dão pistas de como era o educador em sua intimidade. Persistente no estímulo à reflexão, não gostava quando concordavam com ele de maneira fácil: Anísio queria sempre o debate, buscava o questionamento e desejava que os seus interlocutores, incluindo filhos e netos, fizessem o mesmo. A relação com o outro, portanto, desenvolvia-se com base na autonomia do pensamento. E também no amor: homem apaixonado pela esposa Emília Ferreira Teixeira, Emilinha, como se nota nas cartas, pela natureza (não à toa, quando soube que se tornaria avô, construiu um sítio em Itaipava, na região serrana do Rio de Janeiro, para acomodar a família que crescia) e pelos livros. Em Anisinho, apelido de infância, afeto e exercício crítico conviviam juntos.
Último registro de Anísio Teixeira em vida, no sítio da família em Itaipava (RJ), março de 1971 | foto: Acervo Família Anísio Teixeira
Seção de vídeo
No vídeo, João Augusto de Lima Rocha, professor titular aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA), rememora a carreira de Anísio, passando por sua formação, seu contexto familiar e sua aproximação com o campo educacional. Ele aborda as viagens do educador, em que conheceu diferentes sistemas de ensino na Europa e nos Estados Unidos e algumas das ideias que orientaram o seu trabalho – como uma escola centrada no aluno, na experiência e na participação coletiva. João reflete ainda sobre a relação entre educação e democracia e sobre a atualidade de seu legado para o ensino brasileiro.
“Cidadão íntegro, puro, decente. Além de inteligentíssimo, dono de cultura invulgar, mestre inconteste no que se refere à educação, Anísio Teixeira foi um brasileiro raro. Tão extraordinário a ponto de ter sido alvo durante toda a vida de restrições, suspeitas, aleivosias, perseguições, misérias de todo tipo com que os imundos o perseguiram [...]”
– Depoimento de Jorge Amado citado no projeto de lei que instituiu Anísio Teixeira como o Patrono do Sistema Público de Ensino do Distrito Federal em 2004
Família Spínola Teixeira em Caetité (BA), 26 de dezembro de 1905 | foto: Acervo Família Anísio Teixeira
“De estatura baixa, seco de corpo, puro sem afetação, aberto à compreensão, à generosidade, iluminava-o o dom da adolescência que ajuda o mundo todas as manhãs a nascer de novo”
– Genolino Amado em ata da Academia Brasileira de Letras (ABL) de 22 de junho de 1978
Anísio Teixeira, s.d. | foto: Acervo do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV)