Anísio Teixeira como reitor da Universidade de Brasília (UnB), déc. 1960 | foto: Assessoria de Comunicação Social (Secom)/Acervo do Arquivo Central da UnB
“São as universidades que fazem, hoje, com efeito, a vida marchar. Nada as substitui. Nada as dispensa. Nenhuma outra instituição é tão assombrosamente útil”
– Anísio Teixeira em discurso na inaguração dos cursos da Universidade do Distrito Federal (UDF), em 31 de julho de 1935
Rio de Janeiro, 1935. O então reitor da Universidade do Distrito Federal (UDF), Anísio Teixeira, discursa na solenidade de inauguração dos cursos, quando caracteriza as instituições de Ensino Superior como as mansões da liberdade. Por liberdade ele entendia “uma conquista que está sempre por fazer”. Um movimento contínuo, portanto. Uma luta. Um comprometimento. E é nos espaços universitários que essa busca, interminável, encontra morada majestosa – não no sentido imponente, mas sim no da grandiosidade da matéria humana que forma essas casas. Instituições de cultura, laicas, públicas, autônomas, para todos. Era isso o que defendia o então reitor – Anísio pensou um projeto de educação não apenas para a UDF, mas para o Brasil.
São Paulo, 2026. Esse projeto de educação, democrático como princípio, é celebrado na Ocupação Anísio Teixeira [uma parceria do Itaú Cultural (IC) com o Itaú Social (IS), ambos da Fundação Itaú]. A intenção principal da mostra reside no desejo de tornar mais conhecidas a vida e a obra desse educador de enorme importância – educador por paixão, intelectual por vocação, jurista pelo diploma em direito.Versado em políticas públicas, obstinado por desenvolver ideias no mundo, Anísio colocou-se a serviço de todas as fases educacionais. Na exposição de fato, o Ensino Básico e a trajetória pessoal do homenageado são destaques: do “Manifesto dos pioneiros da Educação Nova”, de 1932, às escolas-classe e escolas-parque; de Caetité, sua cidade natal, no interior da Bahia, à imortalidade. Já aqui, nesta publicação, o foco recai em reflexões e feitos do mestre para as universidades do país – entendimentos e ações que surgiram relevantes nos anos 1930 e assim seguem até os dias atuais.
Nas páginas a seguir há uma reportagem, assinada pelo jornalista Thiago Rosenberg, que esmiúça o legado anisiano no contexto universitário: a criação da UDF, da Universidade de Brasília (UnB) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), além do trabalho de Anísio no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) – que hoje leva seu
nome. A essa matéria juntam-se três textos sobre tais realizações, escritos por professores que vivenciam a universidade de excelência: Márcia Lima, da Universidade de São Paulo (USP), relaciona as contribuições de Anísio para as políticas contemporâneas de democratização do acesso ao Ensino Superior; Remi Castioni, da UnB, aborda a proposta de universidade defendida pelo educador-inspiração; Michely Jabala Mamede Vogel, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresenta o
percurso da Capes, de 1951 até agora. Esse conjunto de ensaios representa um convite para revisitar as proposições de Anísio à luz das demandas do tempo atual e da seríssima tarefa de construir o futuro – uma conquista que, a exemplo da liberdade, está sempre por fazer.
Todas as análises reunidas neste livro ganham a companhia de imagens da UnB – tanto uma série de fotos clicadas por Joana França (graduada justamente por essa universidade) quanto registros históricos da instituição (cedidos pelo Acervo do Arquivo Central da UnB) – e mostram seu vigor, seus locais amplos e verdes, suas salas e, principalmente, os alunos que lá estudam ou estudaram – a tradução visual de um dos sonhos de Anísio. E esses sonhos continuam sendo festejados neste site exclusivo da Ocupação Anísio Teixeira.
Leia a publicação da Ocupação Anísio Teixeira no ISSUU do Itaú Cultural.
Seção de vídeo
Neste vídeo, Libânia Nacif Xavier, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fala sobre a formação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, atual Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Ela discorre sobre a importância da atuação do educador na criação e gestão do órgão, destacando também a relevância da criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) e de outros centros regionais de pesquisas educacionais subordinados ao instituto.
Anísio Teixeira como reitor da Universidade de Brasília (UnB), déc. 1960 | foto: Assessoria de Comunicação Social (Secom)/Acervo do Arquivo Central da UnB
“A universidade será assim um centro de saber, destinado a aumentar o conhecimento humano, um noviciado de cultura capaz de alargar a mente e amadurecer a imaginação de jovens para a aventura do conhecimento, uma escola de formação de profissionais e o instrumento mais amplo e mais profundo de elaboração e transmissão da cultura comum brasileira. Estas são as ambições da universidade. Profundamente nacional, por esse amplo conceito de suas finalidades, às universidades de todo o mundo, à grande fraternidade internacional do conhecimento e do saber”
– Anísio Teixeira em artigo publicado na “Folha de S.Paulo” em 13 de julho de 1968