Texto do periódico Tribuna da Bahia sobre a morte do educador Anísio Teixeira, 20 de março de 1971 | imagem: Acervo Tribuna da Bahia
No início de 1971, Anísio Teixeira estava se preparando para ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL), após relutar, por modéstia, em concorrer a uma vaga na instituição. Ele era o único candidato à cadeira nº 36. No entanto, em 13 de março do mesmo ano, o educador foi encontrado morto no fosso do elevador do prédio onde morava o professor Aurélio Buarque de Holanda, integrante da ABL, a quem Anísio foi visitar justamente por conta do processo de candidatura. O caso, analisado pela Comissão da Verdade, segue sem conclusão definitiva. O que se mantém entre nós, contudo, é o legado de Anísio, contribuição inestimável para a educação brasileira. O profeta do saber, da cultura e da transformação social, como disse o filólogo Antônio Houaiss, conquistou, por direito, a dimensão da imortalidade: o seu projeto continua nos apontando futuros possíveis, mais justos, nos quais o ensino público de qualidade seja a força motriz da nação.
Texto do periódico Tribuna da Bahia sobre a morte do educador Anísio Teixeira, 20 de março de 1971 | imagem: Acervo Tribuna da Bahia
“Anísio Teixeira, visionário educador brasileiro, teve suas ideias de modernização da educação confrontadas e perseguidas durante períodos de autoritarismo no Brasil, ecoando o silenciamento de vozes progressistas em ditaduras”
– Memórias da Ditadura
Amigo das crianças: assim Jorge Amado define Anísio Teixeira na dedicatória de Capitães da areia (1937), romance, segundo o autor, que trata de meninos e meninas abandonados nas ruas da Bahia. A expressão usada por Jorge resume a preocupação do educador com as infâncias, em especial com a formação escolar, crítica e cidadã, dos mais novos. Não só das crianças, porém, ele era próximo: sujeito dado às amizades, Anísio fez parte de uma rede de interlocuções intelectuais e afetuosas por toda a vida. E, algumas dessas pessoas, como ele, são figuras importantes para a educação e cultura brasileiras – de Darcy Ribeiro a Manuel Bandeira, de Paulo Freire ao próprio Jorge Amado. Em cartas, dedicatórias e matérias de jornais, essas afinidades são evidenciadas.
Livro A estrela da vida inteira, com dedicatória do autor, o poeta Manuel Bandeira, para Anísio Teixeira | foto: Acervo Família Anísio Teixeira
“Anísio Teixeira foi o campeão na luta contra a educação como privilégio [...], capaz de criar no Brasil uma revolução brasileira que fosse realmente democrática em todos os seus aspectos”
– Depoimento de Florestan Fernandes quando da criação da Fundação Anísio Teixeira, em 20 de setembro de 1989
Livro “Educação como prática da liberdade”, com dedicatória do educador Paulo Freire para Anna Christina Teixeira Monteiro de Barros, a Babi, filha de Anísio Teixeira | foto: Acervo Família Anísio Teixeira
Saiba mais sobre o educador pernambucano no site da Ocupação Paulo Freire.