Seu Trem, Aonde o Conduz?

o último carro

Ele tinha defeitos, moço. O senhor não tem?

Ele era tão diverso do senhor, moço, e, no entanto, igual.

Ele ia para o trabalho de trem. E o senhor, moço, permita,

Como viaja?

De ônibus, carro, avião? Seu trem tem rumo?

Aonde o conduz?

À estação mais próxima? O senhor, moço, perdoe.

Qual é a estação mais próxima?

A mesma de ontem? A mesma de ontem?

A MESMA de ontem?

A MESMA DE ONTEM?

[O Último Carro, texto escrito por João em 1964]

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Os Azeredos mais os Benevides

Cena de Os Azeredos mais os Benevides (2014), de Oduvaldo Vianna Filho, dirigida por João a convite do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes), por ocasião dos 50 anos do golpe de 1964 | imagem: Gal Oppido

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Os Azeredos mais os Benevides

Cena de Os Azeredos mais os Benevides (2014), de Oduvaldo Vianna Filho, dirigida por João a convite do Centro Popular de Cultura (CPC) da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umes), por ocasião dos 50 anos do golpe de 1964 | imagem: Gal Oppido

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Ilka Zanoto: Sentinela contra os marginalizados

JN perambula pelo país tendo como bússola os quatro pontos cardeais e como alvo o protagonismo do povo brasileiro. Deslocando-se geograficamente – tendo o próprio corpo como local de experimentação –, traz à luz as vivências de índios do Acre, de trabalhadores dos trens suburbanos, de mulheres ofendidas em textos reivindicatórios (em parceria com Simone Hoffmann, que durante 15 anos o assessorou em realizações como Mural Mulher e Antígona), de torturados à morte nos porões da ditadura militar, de negros de Minas Gerais, de gentes do Vale do Jequitinhonha…

É nas congadas ou nas magias de Titane (nas palavras de João das Neves, seu marido, Titane é artista “dedicada à criação de espetáculos cênicos musicais em que um conjunto coral alcança uma performance próxima àquela dos folguedos populares”), com seu Campo das Vertentes, que o autor atinge a plenitude da beleza em espetáculos miríficos e eivados de sons e luzes encantatórios.

Recomendo enfaticamente o livro Titane e o Campo das Vertentes, no qual se casam as reflexões de João e de múltiplos e inspirados colaboradores e as fotografias que registram o trabalho da dupla que há tantos anos enfeitiça Minas, Brasil e o mundo. Mil palavras que eu escrevesse não resgatariam sequer uma página desse livro, que faz jus à nossa “Aquarela do Brasil”:

Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos […]
Ô, abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil… Brasil…

Não nos esqueçamos jamais que, sem nunca perder a ternura, JN é sentinela intimorato dos malfeitos perpetrados contra os marginalizados, os humilhados e ofendidos de nosso país, resgatando-os através de sua arte maior.

Ilka Zanoto é crítica e pesquisadora de teatro. Durante as décadas de 1970 e 1980, foi voz ativa contra a repressão do período militar.

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Pedro Páramo

Cena da peça Pedro Páramo (2001), adaptada e dirigida por João a partir do romance homônimo do escritor mexicano Juan Rulfo | imagem: Guto Muniz

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Pedro Páramo

Cena da peça Pedro Páramo (2001), adaptada e dirigida por João a partir do romance homônimo do escritor mexicano Juan Rulfo | imagem: Guto Muniz

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Pedro Páramo

Narração do texto de Pedro Páramo (2001), adaptada e dirigida por João a partir do romance homônimo do escritor mexicano Juan Rulfo | imagem: Guto Muniz

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Aos Nossos Filhos

Cena de Aos Nossos Filhos, de Laura Castro, dirigida por João | imagem: Irene Nóbrega

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Aos Nossos Filhos

Cena de Aos Nossos Filhos, de Laura Castro, dirigida por João | imagem: Irene Nóbrega

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txai

Introdução ao texto Yuraiá: O Rio do Nosso Corpo, escrita por João em 1990 e ainda não montada | imagem: Acervo do Autor

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Yuraiá: o teatro como espaço de convivência

Titane é cantora. Seu trabalho cria diálogos com a cultura popular – com destaque para o congado – a música e as artes cênicas. O show Titane e o Campo das Vertentes (2009) tem direção de João, seu marido.