Autocuradoria

Autocuradoria

Comecei a fazer maquetes no início dos anos 1980, como miniaturização de obras efêmeras, geralmente de grande escala, que costumava pintar diretamente sobre painéis ou paredes. Para mim, a decisão de fazer maquetes sempre esteve associada a uma certa aflição com a efemeridade. Fazer maquetes foi sonhar a permanência de obras que desapareciam quase sempre em um par de meses, ou pouco mais.

Durante algum tempo construí cuidadosamente todas as maquetes na mesma escala, com o propósito de organizá-las um dia como simulacro de uma pequena urbanização, pois já estava convencida da impossibilidade de fazer renascer essas obras como haviam sido ou de montar com elas qualquer espécie de retrospectiva em escala real. Logo desisti de homogeneizar tamanhos, pelas dimensões mais extensas que os trabalhos tomaram no real, e também porque depois dos anos 1990 os originais passaram a habitar temporariamente territórios mais distantes.

De qualquer forma, até o presente, todas as maquetes mantêm o mesmo objetivo: ser documento e servir de memória, apesar das diferenças em relação ao original, decorrentes da necessidade de sintetizar informações.

Também faço inúmeras maquetes de trabalho e as uso intensamente enquanto vou imaginando e dando corpo às ideias. Mas essas maquetes de estudo têm sido quase sempre de construção mais precária e resistem apenas na medida que servem aos registros e desenhos que lhes são aplicados. Funcionam como espaços miniaturizados para experimentações diversas e muitas vezes não existem mais quando o trabalho já está em execução.

Ultimamente, minhas maquetes se restringem cada vez mais a obras associadas a arquiteturas específicas, não porque sejam mais importantes de preservar, masporque no conjunto de meus trabalhos é a produção que persiste como majoritariamente efêmera. Ainda que com o tempo descobrisse a potencialidade das matrizes digitais para recriar o mesmo e fazer migrar imagens, estes trabalhos costumam viver apenas uma vez, pelas próprias circunstâncias que os convocaram a existir.

Por vezes, pode haver um intervalo bastante longo entre o trabalho já executado e a realização de sua maquete, e também há os casos de maquetes que, por diversas razões, nunca tiveram o projeto realizado e precisam se sustentar sozinhas como obras em miniatura.

As maquetes desta exposição correspondem a trabalhos em espaços e arquiteturas diversas, no Brasil e no exterior, feitos entre 2004 e 2007.  Todas foram realizadas em meu estúdio: duas delas (Lumen e Derrapagens) por Roberto Gorgati e as outras sete (Mundus AdmirabilisIntroIrruptionSagaDesaparienciaFrenazos Observatório) por Renato Pera e Marcelino Ros Lopez.
 

Regina Silveira, julho de 2010

curadora

Compartilhe

Antes

Planta do térreo do Itaú Cultural

Compartilhe

Sonho

 “Todo projeto

é um

sonho,

você sonha com ele,

literalmente.”


Regina Silveira

Compartilhe

Planta da mostra

Planta do térreo do Itaú Cultural, com anotações e rabiscos que dariam origem à mostra

Compartilhe

Trabalhando sozinha

“Pra mim, é muito menos aflitivo trabalhar sozinha, tomar as decisões sozinha, dizer como aquilo tem que ser e propor como um objeto inteiro. Claro que eu trabalho bem com curadores também; sem isso não teria feito exposições tão grandes nem tomado as decisões que tomei.”

Regina Silveira

Compartilhe

Seção de vídeo

Arquitetura

Regina: “Toda arte é política, no sentido em que transforma a percepção do espectador”

Compartilhe

Minha maneira de ocupar

“Acho que a minha maneira de ocupar é esta: trazer as coisas que nunca puderam estar juntas, nunca vão poder estar juntas, não existem mais.”

Regina Silveira

Compartilhe

Maquete

Maquete de estudo para a mostra Ocupação | imagem: André Seiti

Compartilhe

Objeto independente

“Faço as maquetes como documento, para fazer um documento. É mais que recordação, que é só uma coisa mental. A maquete tem uma fisicalidade. Não é o real, claro, a maquete abstrai muitas coisas do real: a gente não está pintando esse amarelo ou esse branco, não interessa, vamos fazer só o formato e o edifício. Termina sendo um objeto independente, mas pelo menos preserva a ideia, a relação de escala e de tamanho.”

Regina Silveira

Compartilhe

Seção de vídeo

Obra para todos

Ana Maria Tavares
Artista plástica. Desde 1993, leciona na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).