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Voz de Beth Beli | Roteiro de Maria Shu

Transcrição de áudio disponível. Clique em para acessar.

crédito: Acervo Instituto Moreira Salles/Coleção Edinha Diniz/Chiquinha Gonzaga

Fotografia registra recepção ao pianista português Viana da Mota, organizada por autores de teatro. Sentados, da esquerda para a direita, estão: Chiquinha Gonzaga, Cândido Costa, Raul Pederneiras, Viana da Mota e uma pessoa não identificada. O segundo em pé da direita para a esquerda (de bigode, semi-encoberto) é João Batista Gonzaga

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Chiquinha Gonzaga à frente da Orquestra Chiquinha Gonzaga, formada na ocasião da visita do escritor português Júlio Dantas, na sede da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat), no Rio de Janeiro, em 23 de julho de 1923

Autoria desconhecida | Acervo Instituto Moreira Salles/Coleção Chiquinha Gonzaga

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GLOSSÁRIO TEATRAL

Revista

Originalmente chamada revista de fim de ano, imitando a revue de fin d’année francesa, que tinha como objetivo rever/revisitar (daí o nome revista) acontecimentos do ano recém-terminado de forma cômica e musical. Chegou ao Brasil, via Portugal, em meados do século XIV. Com o passar do tempo, o teatro de revista adquiriu outras características.
A estrutura da revista é dividida em:

Prólogo: Cena que antecede a revista propriamente dita. Normalmente é feita com as cortinas fechadas, em que um mestre de cerimônias (compadre) e/ou uma mestre de cerimônias (comadre) dirige-se diretamente ao público, fazendo comentários sobre o que vai ser apresentado.

Quadros: Diversas cenas independentes que compõem a revista. Os quadros podem ser cômicos, dramáticos, musicais (feéricos).
Números de cortina: São apresentados geralmente por cômicos com as cortinas fechadas, permitindo a troca de cenário para o próximo quadro.

Ato: Uma das divisões do espetáculo teatral. A montagem pode ter ato único ou dois ou mais. Neste caso, cada ato é, normalmente, separado por um intervalo. As revistas geralmente tinham dois atos.
Apoteose: A cena grandiosa, geralmente musical, com a presença de todo o elenco que encerra o primeiro ato e o final (grand finale) do espetáculo.

Apoteose: A cena grandiosa, geralmente musical, com a presença de todo o elenco que encerra o primeiro ato e o final (grand finale) do espetáculo.

Peça

Originalmente essa denominação referia-se apenas ao texto; nos dias atuais, é sinônimo de espetáculo, montagem, encenação. É um conjunto cênico que inclui os trabalhos de autor, diretor, elenco, técnicos e produtores.

Burleta

Uma peça cômica e leve com números musicais intercalados. Diferencia-se da revista porque não é estruturada em quadros isolados e conta uma história completa por meio de um fio condutor de enredo.

Vaudeville

Foi criado na França no século XVII para fazer frente à commedia dell’arte. Era um espetáculo cômico intercalado com números musicais, e o nome tem origem em vau de ville (vale do povoado), que posteriormente deu origem à revue de fin d’année. A palavra mais tarde foi usada para definir a comédia de costumes (termo usado até hoje).

Ópera

Espetáculo totalmente musicado surgido na Itália no início do século XVII. A história é criada por um libretista, dando origem ao libreto que será musicado por um compositor. É composta de uma abertura instrumental, cenas cantadas com vários personagens e pelo coro, árias (cantadas por solistas) e intermezzos instrumentais.

Opereta

Significa pequena ópera. Surge no século XIX a partir da ópera cômica francesa. Trata-se de espetáculo com a mesma estrutura da ópera, mas com temas mais leves e engraçados e também com músicas mais suaves, podendo conter partes declamadas (não cantadas).

Libreto

Texto dramático às vezes baseado em um romance que será musicado por um compositor, dando origem à ópera/opereta/revista/burleta. No caso das duas últimas, há textos falados intercalados com aqueles cantados.

Libretista

Autor/a do libreto, normalmente um/a dramaturgo/a.

Peça regional

Espetáculo baseado em costumes (sotaque, comportamento, vestuário) e músicas de várias regiões do país. Exemplo: as peças caipiras que focam usos e costumes do interior de São Paulo.

Teatro São José

Inaugurado em 1881 com o nome Teatro Príncipe Imperial. Localizado na Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, foi ali que em 1885 Chiquinha Gonzaga estreou como maestrina na sua peça A Corte na Roça (libreto de Palhares Ribeiro). O teatro sofreu reformas, mudou várias vezes de nome, adotando Teatro São José em 1903, e foi palco da burleta Forrobodó (libreto de Luís Peixoto e Carlos Bittencourt), que lá estreou em 1912. Voltou a mudar de nome: Cine Theatro São José e, posteriormente, Casa do Caboclo, onde eram apresentadas peças regionais. A partir da década de 1930 funcionou apenas como cinema, sendo demolido na década de 1980, após cem anos de existência.

Teatro São Pedro de Alcântara

Inaugurado em 1813 como Real Teatro São João por iniciativa de D. João VI no Largo do Rossio no Rio de Janeiro (Praça Tiradentes, a partir de 1890). Em 1824, tornou-se Imperial Teatro de São Pedro de Alcântara, em homenagem a D. Pedro I. Sofreu vários incêndios e reformas. A opereta Juriti, de Chiquinha Gonzaga com libreto de Viriato Corrêa, foi apresentada nesse teatro em 1919. Demolido em 1930, surgiu no mesmo espaço o Teatro João Caetano, que também sofreu vários reparos até atingir a atual forma

Glossário elaborado por José Cetra Filho José Cetra Filho é pesquisador teatral, mestre em artes cênicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), membro da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), editor do blog www.palcopaulistano.blogspot.com e autor do livro O Palco Paulistano de Golpe a Golpe (1964-2016).

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O broche de ouro com pauta musical contendo as primeiras notas da valsa “Walkyria” (1884), composta para a opereta A Corte na Roça, foi oferecido à maestrina pelos críticos teatrais José do Patrocínio (Cidade do Rio), Oscar Guanabarino (O Paiz), Luiz de Castro (Jornal do Commercio), Ferreira de Araújo (Gazeta de Notícias), entre outros, durante festa artística no Teatro Recreio Dramático em 29 de julho de 1885 com o intuito de celebrar o sucesso da opereta estreada em janeiro daquele ano. Chiquinha Gonzaga passou a usá-lo habitualmente.

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Chiquinha Gonzaga aos 47 anos, usando o broche de ouro que lhe foi presenteado

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Seção de vídeo

O acervo digital e a memória de Chiquinha Gonzaga

Músico e também responsável pelo site dedicado a Chiquinha Gonzaga, Wandrei Braga comenta o início de sua pesquisa sobre a vida da pianista. Com o objetivo de manter viva a memória de Chiquinha, Wandrei é responsável pelo site que ganhou várias atualizações ao longo do tempo, tendo uma ótima visibilidade pelo seu conteúdo tanto nacional como internacionalmente.

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